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Pais devidamente (pré)ocupados?

Pais devidamente (pré)ocupados?

Ter um filho não é fácil! O desejo de um ótimo futuro e da felicidade do filho são uma constante preocupação para os pais, que normalmente se culpabilizam por qualquer falha no desenvolvimento da criança. Mas muitas vezes os pais fazem tudo o que precisam, apenas se preocupam demasiado. O Barrigas de Amor e a Oficina de Psicologia dão-nos várias dicas para atenuar a pressão e preocupação que sentimos quando somos pais.

Que temas ocupam os pensamentos dos pais? O que causa angústia antes de ter acontecido? O que questionam várias vezes por dia os pais?

As respostas serão tantas, quantos os pais existentes. Contudo, é curioso conseguir encaixar as ditas preocupações nalgumas gavetas… A do futuro, a da segurança pessoal, a da saúde… Estarão os filhos realmente em perigo, ou isto de se ser preocupado faz parte dos genes dos pais?

Normalmente, todos tememos aquilo que não podemos controlar. Ou aquilo que achamos não poder controlar.

Surge aqui uma temática recorrente entre pais (de filhos de todas as idades!): as expectativas. Esperar, antever, associar determinada probabilidade a acontecimentos é algo que consoante a “intensidade” pode variar entre o muito adaptativo e o muito desorganizador, tanto para graúdos como para miúdos.

No que toca a expectativas, podemos pensar, por exemplo, no medo que muitos pais têm de que o filho não tenha todas as oportunidades educativas que precisa para alcançar o seu potencial.

Este medo, pode de tal forma ser irracional e paralisante, que conduz o educador a procurar e oferecer à criança todos os brinquedos ou programas educativos existentes no mercado.

Esta conduta parental pode parecer paradoxal nos dias que correm. Ora se diariamente se fala em crise e desemprego, porque vão os pais dirigir grandes percentagens dos orçamentos familiares às teóricas garantias de sucesso pessoal?

Precisamente porque, enquanto trabalhadores, os pais encontram neste comportamento uma reacção racional ao clima de insegurança económica. Assim, a ideia será que quanto mais ferramentas, sob a forma de brinquedos educativos forem dados à criança, mais garantias de que a criança no futuro conseguirá fazer face a quaisquer dificuldades que lhe surjam.

Os especialistas concordam que não é necessário comprar todos os brinquedos educativos que aparecem no mercado ou preencher cada hora livre da criança com actividades extra-curriculares.

Quando se trata de ajudar uma criança a alcançar o seu potencial, verifica-se que menos pode ser mais. As crianças mais criativas podem ser as que têm menos brinquedos. Ter um número reduzido de brinquedos básicos irá ajudar as crianças a desenvolver a sua imaginação e criatividade. A ideia de que devemos evitar que as crianças se confrontem com frustrações é também pouco adequada.

Viver frustrações e aprender a lidar com elas é extremamente adaptativo, na medida em que se desenvolvem competências intra e interpessoais potenciadoras de maior realização pessoal.

E, falando em realização pessoal, é importante realçar o papel perturbador que expectativas demasiado elevadas, face às reais potencialidades da criança, podem causar.

Esperar e exigir à criança mais do que ela pode dar pode causar medos, inseguranças, angústia, baixa auto-estima. Assim, é fundamental compreender que as crianças não se desenvolvem “à mesma” velocidade e que é de extrema importância respeitar a individualidade e ritmo de cada criança.

As crianças contam os adultos e educadores de referência, para que, em cada dia, possam dar o que de melhor têm dentro delas.

Inês Afonso Marques | Psicóloga Clínica | Oficina de Psicologia