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O papel dos pais no controlo dos episódios de fúria

O papel pais controlo episódios fúria

Apesar de cada criança ser única, existem algumas soluções e abordagens que podemos seguir para aprender a lidar com episódios de fúria. O Centro Ser mais explica-nos como.

Tal como nós, adultos, também as crianças sentem raiva, mostrando por vezes alguma agressividade na sua atitude. Quando nos sentimos sob ameaça, quer esta exista ou não, tendemos a ter uma de três reações possíveis: paralizar, fugir ou reagir. A raiva/ agressividade é considerada uma estratégia do nosso corpo reagir para combater a ameaça.

Se comummente as ameaças que identificamos são mais de natureza física, a verdade é que, se calhar até sem nos apercebermos, nos sentimos muitas vezes ameaçados pelos nossos próprios sentimentos e emoções. O medo, a frustração, a desilusão é por vezes tão forte que, para evitar o sofrimento, tendemos a descarregar toda a tensão no exterior, seja através da destruição de objetos ou mesmo do ataque a outros.

Nas crianças, nem sempre os ataques parecem fazer sentido. Estas podem reagir com uma intensidade elevada a episódios diários aos quais nem sempre conseguimos reconhecer a importância que os mesmos assumiram para a criança: luta com os irmãos porque brincaram com os seus brinquedos, uma resposta impulsiva à professora que o fez sentir envergonhado perante os colegas ou agressão a um colega que tentou assustá-lo.

É fundamental que, em casa junto da família, se promova um ambiente onde agressividade possa ser gerida de forma construtiva, garantindo assim um desenvolvimento emocional mais saudável. De que forma?

1) Controlando os impulsos agressivos: Já no jardim de infância, é esperado que as crianças consigam lidar com o aumento de adrenalina que sentem, sem precisar de agredir outros para lidar com essa sensação. Ao aceitarmos que estes episódios de fúria podem ocorrer naturalmente nas crianças, ser-nos-á mais possível lidar com mais calma com os mesmos, o que fará com que a criança se acalme gradualmente, dominando os seus impulsos e aprendendo competências emocionais sem que necessite de se magoar a si e/ ou aos outros;

2) Conhecendo as verdadeiras razões por trás da raiva – Depois de explodir, a criança tende a seguir em frente, esquecendo o episódio. Ajude o seu filho a compreender o que o levou a agir: a vergonha por não saber a resposta certa na aula, o medo de ser ignorado pelos colegas… se ele compreender o que sente, deixará de precisar de defender-se, atacando, e conseguirá resolver os seus verdadeiros problemas;

3) Estimulando o seu filho a procurar possíveis formas de resolução de problemas – Se o seu filho fica irritado porque o irmão mexe nos seus brinquedos, então poderá começar a arrumá-los num sítio inacessível ao mais pequeno. Se compreender que, por vezes, também é co-responsável pelos conflitos em que se envolve, poderá alterar o seu comportamento de modo a não sofrer consequências. O objetivo será sempre ensinar o seu filho a utilizar a sua raiva como motivação para alterar os comportamentos que causam o conflito.

Com o tempo, com calma e sentindo a segurança necessária para expressar a raiva que sente e encontrar as razões associadas à mesma, a criança conseguirá aprender a manifestar as suas necessidades e desejos sem precisar de ser agressivo. Tornar-se-á mais fácil para si colocar-se no lugar dos outros e procurar soluções onde ambas as partes beneficiem.

 

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