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Não estejas triste, filho!

Não estejas triste, filho

Quantas vezes já disse esta frase ao seu filho?

É compreensível que o diga, nenhum pai gosta de ver o seu filho triste. É como se tivesse a sensação de que, enquanto pai, tem a obrigação de fazer qualquer coisa para evitar que o seu filho se sinta triste, afinal, só quer que ele seja feliz.

Se pensa desta forma, a má notícia é que não vai conseguir evitar que o seu filho se sinta triste. A boa notícia é que o facto de o seu filho manifestar a sua tristeza é importante para o seu desenvolvimento.

Como qualquer emoção, a tristeza tem uma importante função. É a forma de expressarmos o que sentimos quando perdemos algo. É pois, pela manifestação da tristeza, que conseguimos voltar a estabelecer um equilíbrio que nos ajuda a lidar com as situações de perda de uma forma adequada. Imagine que é como se a tristeza servisse para nos “esvaziarmos” da angústia e da dor dessa perda. Sabia, inclusivamente, que ao chorar, como resultado da manifestação da tristeza, o cérebro liberta certos químicos que bloqueiam os recetores da dor e que por isso, chorar tem um efeito apaziguador?

Sugiro-lhe que recorde um momento em que se sentiu triste e lhe disseram “Não estejas triste”. Isso ajudou-o de facto a sentir-se melhor? Ou ficou a sentir-se ainda mais triste e frustrado por não se sentir compreendido, e com menos vontade de manifestar junto dos outros aquilo que sentia? Com as crianças não é diferente!

No fundo, todos precisamos sentir (e manifestar) a tristeza (e a zanga, e o medo…) para nos voltarmos a sentir felizes. Ajude o seu filho a lidar e a aceitar as emoções e não a evitar senti- las, ou melhor, a evitar manifestá-las, porque senti-las ele vai sentir sempre.

Por isso, substitua as frases “Não estejas triste, filho” ou “Não chores” por, “É natural que te sintas triste” e esteja presente, abrace, acolha e suporte o seu filho. Uma criança que não expressa a sua tristeza só irá sentir-se mais tensa e acabará por manifestar a sua tristeza das formas menos adequadas. Se o seu filho se sente triste e precisa chorar, deixe que o faça e suporte-o, sem interferir demasiado, sem falar demasiado, simplesmente, esteja lá.

É natural não gostar de ver o seu filho triste, mas, uma vez que não conseguirá evitar que ele passe por situações que o vão fazer sentir-se dessa forma, o seu papel enquanto pai é ajudá-lo a manifestar adequadamente as suas emoções e validar o facto de ele as sentir. Desta forma, estará a contribuir para um desenvolvimento adequado e que permitirá que o seu filho se torne num adulto capaz de gerir e manifestar as suas emoções de uma forma positiva.

Este texto, escrito por Cátia Teixeira, Psicóloga Clínica, foi-nos gentilmente cedido pela Oficina de Psicologia.

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