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Quais são os efeitos de bullying nas crianças?

efeitos de bullying

O impacto do bullying varia de criança para criança, mas uma coisa é certa: todos sofrem.

Os efeitos de bullying podem ser muito graves a médio/longo prazo e minam o desenvolvimento saudável e um crescimento equilibrado na infância. Os ataques continuados a crianças e jovens, mesmo depois de resolvidos, podem ter um impacto na sua saúde física e emocional, na sua capacidade de se relacionar com os outros, na confiança em si e nos pares, no seu rendimento escolar presente e futuro.

Efeitos de bulllying na saúde

No imediato, o bullying provoca vários efeitos físicos: dores corporais, marcas, feridas e/ou cortes no corpo, e, em casos extremos, atos deliberados de autoagressão, mutilação e tentativas de suicídio. Também a longo prazo os efeitos são vários e nefastos.

Um recente estudo norte americano, desenvolvido pelo National Center for Education Statistics e pelo Bureau of Justice Statistics, veio comprovar que existe uma diferença na estrutura do cérebro dos adolescentes que são constantemente alvo de bullying.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas conduziram uma série de exames cerebrais e questionários a mais de 600 jovens de diferentes países da Europa no que se designa “long-term project”, já que o objetivo era perceber a evolução destes jovens entre os 14 e os 19 anos de idade.

Destes 600, cerca de 30 por cento afirmaram terem sido vítimas de bullying crónico, ou seja, duradouro e persistente. Assim que os resultados da atividade cerebral destes jovens foram comparados com os dos jovens que não tinham sido expostos a essa “realidade”, percebeu-se que o bullying estava interligado a alterações no volume do cérebro: o bullying pode reduzir o volume de algumas partes do cérebro, o caudado e o putamen.

O caudado, é crucial na forma como o cérebro capta novos ensinamentos, especialmente no que toca a memórias. Esta zona cerebral usa a informação de experiências passadas para influenciar as nossas ações futuras e decisões. Já o putamen regula o movimento e afeta a aprendizagem.

Estas alterações podem também propiciar um aumento do nível de ansiedade, a partir dos 20 anos, e “forçar” as vítimas a procurar apoio psicológico não só durante os períodos de violência mas também depois.

A maioria das crianças que sofreu bullying na escola…

  • … apresenta sintomas de stress pós-traumático;
  • … sofre de ansiedade generalizada e tendência à depressão;
  • … corre maiores riscos de contrair doenças físicas (doenças metabólicas, cancro e problemas cardiovasculares);
  • … corre maiores riscos de sofrer doenças psiquiátricas (lidam com transtornos de alimentação e recorrem ao uso abusivo de álcool e outras substâncias tóxicas).

De acordo com os investigadores do estudo “Long-term effects of bullying”, a prevenção do bullying no 2.º e 3.º ciclo pode reduzir as despesas de saúde em cerca de 1 milhão de dólares por cada vítima de bullying.

Efeitos de bullying nas relações emocionais e laborais

Durante o período de agressão, as vítimas apresentam níveis grandes de irritabilidade e agressividade, com constantes mudanças repentinas de humor. Estes são efeitos de bullying que podem ser interpretados, ao mesmo tempo, como sinais de bullying, ou seja, indicativos de que algo pode estar errado.

Crianças que sofrem bullying têm também muita dificuldade em confiar também nos outros, daí viverem com frequência em isolamento social, com poucos ou nenhuns amigos. Têm muito medo de pessoas que não conhecem e sofrem de ansiedade perante a possibilidade de vivências sociais, em multidões ou em contextos de socialização com estranhos.

Um estado de tristeza frequente e a falta de vontade de sair ou de fazer programas que antes eram entusiasmantes é um dos principais efeitos de bullying a nível emocional, que pode evoluir para depressão. Um dos mais preocupantes efeitos de bullying é a perda de vontade de viver: o desespero perante a violência dos colegas pode levar algumas crianças e jovens a ter ideais suicidas.

Se a vossa criança já verbalizou pensamentos semelhantes entrem imediatamente em contato com a APAV para Jovens, cujos profissionais podem ajudar a melhor lidar com os efeitos de bullying e encontrar o caminho para a esperança e a alegria.

O bullying pode igualmente ter efeitos muito graves na auto-confiança de quem sofreu bullying na escola durante a infância e/ou a adolescência, o que, embora possa não parecer, traz consequências a nível laboral, nas relações amorosas e de amizade e nas conquistas a que as abobrinhas se possam ou não propor, futuramente. Os maus resultados escolares, temporários ou que se estendem a longo prazo, prejudicam a carreira e o bem-estar da criança.

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