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Como lidar com o bullying em idade pré-escolar?

Como lidar bullying idade pré-escolar?

Sabia que há crianças com 3-4 anos que já revelam comportamentos agressivos com outras crianças? A Oficina de Psicologia explica-nos como lidar com este tipo de bullying.

É provável que a maioria das crianças vai enfrentar o bullying em algum momento da sua vida. Mas um agressor (bully) numa classe pré-escolar de crianças de 3-4 anos?! Os bullies não têm que ser mais velhos?

Com o bullying escolar a aparecer nos media de forma consistente, a maioria dos pais estão cientes de que é um problema sério. Isso é encorajador, mas estamos a esquecer-nos da faixa etária mais nova e mais vulnerável, a criança em idade pré-escolar.

Podemos pensar que estas crianças são jovens demais para o tipo de tormento que associamos ao bullying. Mas, infelizmente, isso não é verdade! Segundo Henry D. Schlinger, Ph.D., diretor do programa de análise comportamental aplicada em Universidade Estadual da Califórnia, o bullying pré-escolar não é notado tão facilmente como em crianças mais velhas. É surpreendente para muitos pais, que encaram a situação como “crianças a ser crianças”.

Este tipo de atitude ignora as etapas de desenvolvimento que as crianças têm na pré-infância. Segundo Brenda Nixon (ex-educadora e autora do livro The Birth to Five Book), antes dos 3 anos de idade, as crianças não têm a capacidade cognitiva de sentir empatia. Assim, uma criança pode magoar emocionalmente ou fisicamente outra criança, mas na realidade ela não entende como se sente o seu colega. Após os 3 anos, a situação muda: o cérebro tem a capacidade de compreender outro ponto de vista, sendo a idade em que a agressão premeditada e intencional poderia começar.

Segundo Schlinger, as razões pelas quais as crianças agridem nesta idade variam. As crianças podem estar a imitar um comportamento do pai, irmão ou amigo que possam ter observado antes. Outras crianças praticam bullying para chamar a atenção, seja de adultos ou colegas; outras intimidam por razões mais complexas e preocupantes, por exemplo, quando uma criança agride pois sente-se bem ao ver sinais de medo ou sofrimento na vítima.

Muitas vezes, os pais e até os professores têm uma postura passiva ignorando ou desvalorizando incidentes menores, o que não ajuda nem a vítima nem o agressor, pois a intervenção não acontece até se atingir um ponto de crise ou até alguém se magoar seriamente.

Bullying VS briga de crianças

O bullying é definido como um comportamento agressivo intencional, que geralmente envolve um desequilíbrio de poder e repetido ao longo do tempo. Pode ser: verbal (humilhações, insultos), físico (empurrões, murros, pontapés) e/ou relacional (rumores, rejeição social, exclusão).

As crianças são ativas e impulsivas e têm lutas repentinas, brigas de amizade que ocasionalmente fogem do controlo. Os conflitos diários relacionados com as brincadeiras podem tornar as crianças mais fortes, pois aprendem através da experiência como se comprometer, negociar e perdoar.

O bullying, por outro lado, faz exatamente o oposto: mina sistematicamente a auto-estima física ou emocional, pode causar sentimentos de mágoa, medo e ansiedade.

Pode ter consequências também para os agressores, que podem vir a ter dificuldades em desenvolver amizades verdadeiras, o que pode levar a relacionamentos problemáticos em todas as fases das suas vidas.

Uma maneira de saber a diferença entre conflito normativo e o bullying é olhar para a intenção. Acidentalmente uma criança pode fazer mal a outra durante uma disputa “Isso é meu!” “Não, eu vi primeiro!” relativa a uma pá na caixa de areia. Por outro lado, um bully poderia agarrar a pá e dizer à outra criança que lhe atira areia à cara se ela tentar ter a pá de volta. Um possível indício de agressor? Se ele estiver a sorrir durante a disputa, talvez sim. Se dois meninos estão a discutir por causa de um livro e os dois meninos estão chateados, isso é um conflito “normal”. Se uma criança bate na cabeça do seu filho com um livro e sorri enquanto o seu filho chora, isso é bullying, segundo Coloroso. Nem todos os agressores agem desta maneira, mas a maioria das crianças que o fazem são agressores.

Outro indício a ter em conta é a forma do comportamento: um agressor não quer que os adultos o apanhem em flagrante, então ele irá fazer bullying discretamente, sabendo que o que está a fazer não é correto. Além disso, um agressor atua como um líder e recruta outros colegas para se juntarem a ele. Atente no seguinte exemplo: “quando Dayna tinha três anos tentou juntar-se a outro grupo de meninas correndo em volta do escorrega do recreio e elas deliberadamente fugiam dela. Para espanto da mãe, Dayna continuou a correr atrás das colegas, que a ridicularizaram e lhe disseram que ela não tinha permissão para descer o escorrega, chegando a atirar pedaços de madeira para o mesmo quando ela tentou escorregar.”.

 

Adaptação do trabalho de Deborah Carpenter, autora do livro “The Everything Parent’s Guide to Dealing with Bullies”. 

 

Raquel Carvalho

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo – Oficina de Psicologia

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