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Como é que Einstein educou o filho?

Como é que Einstein educou o filho?

Como é que Einstein educou o filho?

A 31 de dezembro de 1999, a revista Time escolheu a personalidade mais importante do século XX. O rosto, na capa da revista, não era o de um desportista, de um actor famoso ou de uma estrela de rock. Também não era o de um líder pacifista ou o de um revolucionário. O rosto, sério, de olhar inquisidor, eternizado a preto e branco, era o de Albert Einstein. 

Como é que Einstein educou o filho?

(Fonte: Time)

A importância, relevância e influência do cientista alemão vai muito além da formulação da sua célebre teoria da relatividade, que cumpriu cem anos em 2015. Alguém que acumulou tanta sabedoria teve, certamente, muito a dizer sobre o campo da aprendizagem, e a verdade é que o fez. Einstein passou boa parte dos seus dias a documentar a sua paixão por este assunto em ensaios, cartas e até conferências – legados de inestimável valor e aos quais podemos recorrer para um conjunto de citações e exemplos no mínimo inspiradores.

“A educação é aquilo que nos resta quando nos esquecemos de tudo o que aprendemos na escola”. 

Uma ideia que salpica com frequência as notas de Einstein prende-se na rejeição da aprendizagem como imposição. Einstein estudou durante sete anos no colégio Luitpold Gymnasium, em Munique, onde o método de estudo implicava a memorização – repetir até reter. Frustrado, o alemão abandonou os estudos antes de os concluir. “O ensino“, escreveu anos depois em “My Vision of the World” (literalmente, “a minha visão do mundo”), “deve poder receber-se como um presente e não como uma amarga obrigação“.

Quais são, então, as falhas que Einstein encontrou nos sistemas educativos do seu tempo, e que se mantêm tão atuais? 

1. Padrão. A aprendizagem mecânica cria “robots” e anula o talento individual.

2Submissão. Muitas vezes, na escola, há uma utilização da força e da autoridade como método educativo. Este tratamento destrói a confiança dos alunos em si mesmos e cria seres submissos.

3Produtividade. “A escola deve estimular a inclinação natural da criança para a brincadeira, bem como o desejo infantil de reconhecimento. Guiar a criança para interesses que sejam benéficos para a sociedade. A educação fundar-se-ia assim como uma atividade produtiva e de reconhecimento, e o professor seria uma espécie de artista que orienta a criança na sua individualidade”.

Como é que Einstein educou o filho?

Uma das frases mais marcantes na reflexão do cientista sobre educação é aquela que utiliza um animal selvagem como metáfora: “Acredito que até a um animal caçador saudável se pode privá-lo da sua voracidade, se o obrigarmos continuamente a comer mesmo quando não tem fome”.

Com base nessa ideia, o alemão aconselhou o filho Tete, numa carta, a encontrar prazer na aprendizagem, ultrapassando assim a rigidez e exigência do sistema. “Toca, ao piano, as músicas de que gostares, mesmo que a tua professora não to peça. Essa é a melhor maneira de aprender: quando estás a fazer algo de que gostes tanto que não sentes o tempo passar“.

Para alcançar a excelência, o cientista defendia que a prática era melhor método do que a teoria. “As grandes personalidades não se formam com o que se ouve ou se diz, e sim com trabalho. Como consquência, o melhor método de educação sempre foi aquele em que se delega aos alunos a realização de tarefas concretas. Isto aplica-se às primeiras tentativas de uma criança para aprender a escrever, à realização de uma tese universitária, à interpretação de um texto, à resolução de um problema de matemática ou à prática de um desporto”, escreveu. Usou precisamente o desporto como analogia para explicar a diferença entre aprendizagem e educação. “Se um jovem treinou os seus músculos e a sua resistência física fazendo ginásio e caminhando, mais tarde estará preparado para qualquer trabalho físico. O mesmo se aplica à mente (…).”

Einstein defendia ainda um ensino que favorecesse a individualidade como um acrescento ao colectivo: “Devem cultivar-se nos indíviduos qualidades para o bem comum. Isto não significa que se convertam num simples instrumento da comunidade, como as abelhas (…). O objectivo é o de formar indivíduos que actuem com independência e que considerem seu interesse vital o serviço à sociedade”. No entanto, que ganha alguém cultivando-se para “servir” os outros? Fama, dinheiro? Einstein explica: “Temos que prevenir-nos contra quem exige aos jovens o êxito como objectivo primordial na vida. (…) O valor de um homem deve julgar-se em função daquilo que dá, e não do valor que recebe”.

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