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Bullying na escola: a forma mais comum de bullying!

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Como está o Ministério da Educação a combater o bullying na escola? Quais as diferenças entre o bullying na creche e o bullying no 3º ciclo?

O bullying na escola é uma das formas mais comuns de bullying e pode afetar gravemente o bem-estar e o sucesso escolar das nossas abobrinhas. As formas de bullying variam de ciclo para ciclo e dependem muito da idade dos alunos envolvidos.

Felizmente, estão a ser tomadas cada vez mais medidas para erradicar de vez o bullying na escola. A Pumpkin traz dados estatísticos, explica quais os próximos passos no combate ao fenómeno e mostra as diferenças do bullying na escola desde a creche até ao ensino secundário.

Bullying na escola em Portugal: os dados

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Segundo o inquérito TALIS (Teaching and Learning International Survey) divulgado no dia 19 de junho de 2019, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o bullying nas escolas portuguesas desceu para a metade em cinco anos.

Os dados do estudo indicam que o número de escolas que reportou a ocorrência de, pelo menos, um episódio por semana de bullying. ou intimidação entre os estudantes. baixou de 15,3% em 2013 para 7,3% em 2018.

No total, foram registadas, segundo dados da PSP, 1898 denúncias no ano letivo 2017/2018.

Portugal destaca-se assim por apresentar uma das descidas mais expressivas, mas o Ministério continua a trabalhar no sentido de o erradicar completamente das escolas.

Até porque existe outra questão a ser debatida, que passa por perceber que nem todos os casos ocorridos terão sido denunciados e que, por isso, os números devem ser encarados como um indicador positivo mas não definitivo.

É importante continuar a trabalhar e é dessa luta que surge o plano “Plano de Prevenção e Combate ao Bullying e Ciberbullying”, um conjunto de medidas que ajudam a identificar sinais de alerta, orientam professores e escolas e levam a intervenções mais eficazes (respeitando a autonomia e a realidade de cada Escola).

Este Plano – elaborado pela Direção-Geral da Educação, em articulação com a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares e a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência – e as respetivas ferramentas de apoio à sua implementação, chegam às escolas em outubro por ocasião do Dia Mundial de Combate ao Bullying, que se celebra a 20 de outubro.

O objetivo é erradicar o bullying e o ciberbullying nas escolas, enquadrando-os no contexto mais amplo da violência em meio escolar. Dos recursos e orientações constantes desse Plano, destacam-se vários, que listamos abaixo.

Plataforma SISE

Foi já introduzida uma melhoria na Plataforma SISE (Sistema de Informação de Segurança Escolar), que passou pela introdução de um novo campo que permite aos diretores indicarem a existência de um caso de bullying e/ou ciberbullying.

Desta forma, contorna-se o facto de estes casos não serem considerados uma tipologia de crime. Haverá ainda um reforço na sensibilização, junto dos diretores, sobre a importância deste registo para monitorização do fenómeno e tomada de decisões a nível local, regional ou nacional.

Equipas “Escola Sem Bullying. Escola Sem Violência”

Estas equipas são compostas por vários elementos, por exemplo, pelo coordenador da Promoção e Educação para a Saúde, pelo coordenador da Equipa Multidisciplinar, pelo coordenador da Estratégia para a Cidadania, pelo coordenador de escola e de diretores de turma, psicólogos, professores, entre outros que cada escola entenda como sendo os mais indicados. Mas também, e muito importante, por alunos.

A missão é simples:  a promoção de ações de sensibilização e prevenção para a comunidade educativa. Além das iniciativas no campo da prevenção, pretende-se que, perante um caso concreto de bullying e/ou ciberbullying, os profissionais que integram essa equipa possam resolver o mais rapidamente possível, articulando, sempre que necessário, com a Equipa de Saúde Escolar.

Compromisso “Turma Sem Bullying. Turma Sem Violência”

Um ato simbólico que será assinado por todas as turmas de todas as escolas, com um conjunto de cláusulas que vão no sentido do respeito pelo outro e da não violência.

Será sugerido às Escolas que, no âmbito da sua autonomia, reconheçam as turmas que, assinando o compromisso, vierem a revelar uma boa conduta ao longo do ano, promotora da paz e segurança nas escolas.

Portal “Escola sem Bullying, Escola Sem Violência”

Para saberem mais sobre as iniciativas “Escola sem Bullying, Escola Sem Violência” podem consultar o portal que o Ministério desenvolveu – com recursos para escolas, alunos e encarregados de educação, na página encontram vídeos e flyers, que servirão de guia para todos, e demais informação sobre este Plano e sobre a temática do bullying, do ciberbullying e de outras formas de violência.

Formação para escolas

Por forma a capacitar as Escolas para a resposta a dar perante este fenómeno, será ainda promovida formação a disponibilizar nos Centros de Formação de Associação de Escolas, bem como outras formações com recurso a plataformas e-learning.

Será também lançada uma 2.ª edição do MOOC “Bullying e Ciberbullying: Prevenir & Agir”, cuja primeira edição foi lançada no final do ano letivo passado, e que contou com mais de 2 mil participantes (docentes, psicólogos, sociólogos, forças de segurança, entre outros agentes educativos).

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Bullying na escola: as diferenças de ciclo para ciclo

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O bullying na escola é um problema crónico, que sempre existiu, durante décadas desvalorizado ou diminuido, mas sempre com consequências graves, e que felizmente tem sido trazido para a discussão e orgãos de decisão públicos.

As formas de bullying, embora tenham sempre pontos de agressão comuns, diferem de ciclo para ciclo, e agravam-se à medida que os agressores são mais velhos.

Creche e jardim de infância

O bullying pré-escolar existe, embora seja assustador pensar que crianças tão pequenas possam passar por, ou provocar, algo assim.

Antes dos 3 anos de idade, as crianças não têm a capacidade cognitiva de sentir empatia. Assim, uma criança pode magoar emocionalmente ou fisicamente outra criança, mas na realidade ela não entende como se sente o seu colega.

Após os 3 anos, a situação muda: o cérebro tem a capacidade de compreender outro ponto de vista, sendo a idade em que a agressão premeditada e intencional poderia começar.

As razões pelas quais as crianças agridem nesta idade variam. As crianças podem estar a imitar um comportamento do pai, irmão ou amigo que possam ter observado antes. Outras crianças praticam bullying para chamar a atenção, seja de adultos ou colegas; outras intimidam por razões mais complexas e preocupantes, por exemplo, quando uma criança agride pois sente-se bem ao ver sinais de medo ou sofrimento na vítima.

Saibam mais sobre o bullying pré-escolar e como lidar com ele.

Escola Básica

O bullying na escola básica é o mais comum e também o mais amplo e de difícil análise, dado que falamos de crianças entre os 6 e os 14 anos de idade, que têm, por isso, padrões de comportamento diferentes. As razões por detrás do bullying também mudam, à medida que os miúdos crescem.

Regra geral, os ataques acontecem por forma de:

  • empurrões e pontapés;
  • insultos;
  • apelidos maldosos;
  • situações de gozo em sala de aula (perante uma questão da vítima ao professor, por exemplo);
  • ameaças presenciais e por mensagem;
  • extorsão;
  • isolamento total (exclusão de trabalhos de grupo, etc.);
  • destruição de trabalhos, material escolar e pertences da vítima.

As crianças e os jovens, por estarem em fase de formação de carácter e crescimento, sentem muitas vezes uma forte necessidade de autoafirmação e nem todos não estão habituados a conviver com as diferenças. Conceitos como os da empatia, respeito pelo próximo, solidariedade e amizade estão, muitas vezes, ainda em construção, e devem ser trabalhados pelas famílias em conjunto com as escolas.

Muitas vezes, os agressores são também eles vítimas de alguma situação, ou de si próprios, e utilizam o bullying como forma de se sentirem melhor. Por isso, é importante ajudar as vítimas, claro, mas perceber que também os bullies precisam de atenção e da solidariedade dos adultos. Não deixam de ser crianças.

Ensino Secundário

Por serem mais velhos, os jovens do ensino secundário são também aqueles capazes de cometer os atos de bullying mais graves, alguns deles podendo até constituir-se crime perante a nossa legislação. Entre as atitudes mais comuns entre os miúdos com mais de 15 anos estão:

  • criar boatos humilhantes;
  • captar e difundir imagens das agressões (inclusive pela internet, que configura um caso de cyberbullying);
  • partilha de imagens de cariz sexual (comum entre ex-namorados que se querem “vingar”);
  • todas as outras formas de ataque mencionadas no bloco “escola básica”.

A partir dos 16 anos, os jovens já podem ser legalmente responsabilizados pelas suas ações. O bullying na escola, num período tão turbulento como o da adolescência, e tendo os miúdos uma maior percepção da gravidade daquilo que lhes acontece, pode ter consequências catastróficas, levando as vítimas, que se sentem humilhadas, envergonhadas e sozinhas, ao desespero – e, em situações extremas, até mesmo ao suicídio.

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