Adolescência ou Aborrescência? A Psicóloga dos Miúdos responde! - Pumpkin.pt

Adolescência ou Aborrescência? A Psicóloga dos Miúdos responde!

Adolescência Aborrescência? Psicóloga Miúdos responde

A propósito do lançamento do seu novo livro, “Adolescência: Os anos da Mudança”, fizemos algumas perguntas a Rita Castanheira Alves, mais conhecida como A Psicóloga dos Miúdos, que nos explicou tudo sobre esta fase tão especial do desenvolvimento das nossas crianças. Leia a primeira parte da nossa entrevista, prepare o bloco e a caneta, tire algumas notas e depois corra para a livraria mais próxima: garantimos que este é o livro que salvará a sua vida! 🙂

Há quem se refira à adolescência como a “aborrescência”, uma analogia à palavra aborrecimento e aos problemas que estão normalmente associados a esta fase do desenvolvimento. É um período assim tão complicado – para os pais e para os jovens? 

A adolescência é uma fase completamente nova e distinta de todas as outras ao longo do desenvolvimento. É um desafio para os adolescentes, mas também para os pais, pelas características que envolve. A adolescência tem características específicas a nível fisiológico, como as alterações nas concentrações de hormonas e as modificações cerebrais, as quais são acompanhadas e acompanham mudanças específicas a nível comportamental, o que leva a que os pais se tenham de reajustar, reinventar e adaptar à fase vivida pelos adolescentes. É um período desafiante porque aquilo que funcionava antes já não irá funcionar, porque o adolescente precisa especificamente nesta fase para a construção da sua pessoa individual e única, de disputar, argumentar, distanciar-se, pôr em causa, arriscar, autonomizar-se dos adultos significativos e que até então não eram questionados. Pelo menos, não da mesma forma. O adolescente precisa de fazer diferente, de arriscar e de experimentar além família e casa. Paralelamente, há uma aproximação dos pares e de outras pessoas fora da sua rede familiar e social até então, como forma de crescimento e de construção da individualidade e da construção do sentimento de pertença.

Há tarefas e experiências específicas desta fase, algumas que assustam os pais, que receiam que algo corra mal ou porque às vezes não sabem como abordar certos assuntos que passam a existir, como são a sexualidade ou as drogas e actualmente, as redes sociais e as tecnologias.

A maturação cerebral nesta fase tem características muito próprias e que merecem ser conhecidas pelos pais para que consigam lidar melhor com os tais “aborrecimentos” da adolescência dos filhos, percebendo-os e encarando-os como oportunidades e não como obstáculos. Mas sim, é um grande desafio para pais e para os filhos e às vezes pode ser cansativo. Como digo no livro: “Uma viagem para pais cansados mas entusiasmados!”

A Rita refere no livro que “os adolescentes estão a caminhar rumo ao futuro, à construção dos adultos que serão”. Os pais têm uma palavra a dizer nesta formação, ou devem saber distanciar-se o suficiente para não moldarem os filhos à sua imagem?

Inevitavelmente os pais têm mais do que uma palavra neste caminho, aliás já o têm desde o início da relação pai/mãe-filho. Como diz um dos meus textos no meu primeiro livro para pais, “A psicóloga dos miúdos – Guia para todos os pais”, só não bate quem não conduz, ou seja, só não erra ou não tem influência quem não faz, não tem, não age. Por isso, os pais têm sempre influência no caminho dos filhos, mesmo em silêncio ou mesmo ausentes.

Especificamente na adolescência, a forma de estar, acompanhar, educar, regrar deve ser reinventada, reajustada, repensada porque a fase é nova, as características são diferentes e os filhos, apesar de continuarem, e muito, a precisarem de PAIS, precisam de um ajustamento na relação para que as tarefas fundamentais desta fase aconteçam de forma saudável e equilibrada. Ou seja, as regras e os limites continuam a ser fundamentais para a “construção dos adultos que serão”, havendo inclusivamente um capítulo dedicado a esses aspectos essenciais, mas em que a negociação predomina. Os adolescentes continuam a querer que os pais sejam pais, mas querem ser ouvidos, aceites compreendidos, tidos em consideração e ter uma palavra.

Paralelamente, como em qualquer fase, mas nesta especialmente, em que a individualidade e a autonomia são tão importantes para um desenvolvimento equilibrado, é fundamental que os pais reflictam sobre as suas expectativas, desejos e memórias e a forma como os mesmos poderão estar a influenciar o desenvolvimento, as escolhas e a construção do filho adolescente. As mesmas são inevitáveis e aparecerão, mas é importante parar-se e perceber que impacto poderão estar a ter no adolescente e no seu caminho. Como refiro no capítulo dedicado a este tema Expectativas, desejos e memórias – um filho não serve para alcançar o que o pai não alcançou: “Os filhos não existem para (des)iludir os pais”.

Existe alguma explicação para que, nesta fase, existam jovens que sentem uma maior instabilidade emocional do que outros?

A vida, o crescimento e a construção de uma pessoa é um caminho único, não é separado, como se o que veio antes não influenciasse o que se segue. Como tal, observamos que com frequência jovens que tiveram uma infância com maior instabilidade emocional, familiar, social, pessoal, com maior probabilidade poderão ter uma adolescência mais instável e com arranhões e feridas mais graves e difíceis. É fundamental para que a adolescência seja mais tranquila e saudável, que já haja desde a infância uma boa comunicação entre o adolescente e os adultos significativos, que os pais ajam e exerçam a sua parentalidade de forma preventiva e consciente, nas suas diferentes vertentes, que tentei abordar e contemplar no livro nas suas várias partes.

Através de abordagens integrativas e pragmáticas, Rita Castanheira Alves, psicóloga clínica na área infantil e juvenil, mostra aos leitores como é possível resolver e desmistificar os mais difíceis obstáculos que surgem ao longo de uma adolescência saudável e plena. Incluindo soluções concretas e exemplos reais, a autora reflete sobre o quão necessário é perceber e reinventar, de forma inteligente e equilibrada, a relação entre pais e filhos. Adolescência, os Anos da Mudança é um guia preventivo que foca problemas comuns ou menos frequentes e oportunidades fundamentais para TODOS os pais de adolescentes. Compre aqui!

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