Não quero ir à escola! Dicas para ajudar filhos que não querem ir à escola

O meu filho não quer ir à escola: e agora?

escola

Partilhamos algumas dicas para vos ajudar quando a abobrinha não quer ir à escola.

Muitas crianças  nos primeiros dias de aula ou depois do fim-de-semana, por se sentirem sozinhas e com muitas saudades dos pais, acabam por oferecer grande resistência à ida para a escola.

Vera Lisa Barroso, Psicóloga clínica da área MindKiddo, área infanto-juvenil e familiar da Oficina de Psicologia, e o Centro Sei, dão-nos algumas dicas para ajudar os pais a contornar esta situação.

O meu filho não quer ir à escola: perceber a origem do problema é fundamental

Vera Barroso considera fundamental conversar muito com a criança, mostrando os pontos bons de uma escola, incentivá-lo a ter cada vez mais conhecimento nas aulas e a visualizar isso como algo divertido, onde ainda pode conhecer amigos.

Esta recusa da criança não ocorre necessariamente apenas no primeiro dia de aula de uma criança, podendo também acontecer com uma criança que já vai à escola e que em um determinado momento “decide” que não quer ir mais. É então importante perceber a origem, porque nada muda de um dia para o outro.

O Centro Sei enumera-nos alguns dos motivos que podem estar por detrás da recusa da criança.

Bullying

Há crianças que recusam levar determinadas roupas ou objetos para a escola, outras que acabam por admitir que “os meninos são maus”. São por vezes sinais de que são vítimas de agressões físicas ou psicológicas, o chamado bullying. Se for esse o caso dê confiança ao seu filho.

Mostre-lhe que não está sozinho e que juntos vão resolver o problema. Tente identificar quem são os agressores e marque uma reunião com o professor ou o diretor de turma. Sugira também uma conversa em conjunto com os pais dos meninos responsáveis pelo bullying e tentem em conjunto encontrar uma solução.

Dificuldades de aprendizagem e/ou atenção

Uma chamada para ir ao quadro ou para ler um texto em voz alta, para algumas crianças não passa de um desafio mas para outras pode ser um enorme fator de ansiedade.
O medo de cair no ridículo, de ser gozado pelos restantes, é habitual entre os mais pequenos, sobretudo quando existe uma dificuldade de aprendizagem de forma geral ou em determinadas matérias.

É importante estar atento, falar com o seu filho ao final de cada dia.

Se ele diz que “a escola é muito difícil”, veja para lá do óbvio.

Talvez sinta vontade de dizer que tem de trabalhar mais porque a vida é dura e exige esforço. Mas o caminho deve ser outro. Pergunte-lhe que matérias acha mais interessantes na escola e em quais tem mais dificuldades. Elogie as capacidades que revela e mostre que o irá ajudar a superar os temas mais difíceis. Poderá também recorrer à sua experiência pessoal para lhe dar alguns exemplos de como superou determinados problemas.

Medos

“Não quero ir à escola” pode querer dizer “quero ficar em casa”.

Na prática parece dar no mesmo, mas não é.

Por vezes o problema está no seio da família e não no ambiente escolar.

Há crianças que, por diversas razões, alimentam uma dependência pelo pai, ou a mãe e sentem receio sempre que se afastam. Acontece, por vezes, quando há uma perda ou um distanciamento. Em caso de morte, por exemplo, ou de divórcio.

Se o seu filho perdeu a avó, ou o avô é natural que se questione que pode um dia perder os pais. Um receio que se pode traduzir em ansiedade e medo de sair de casa, de se afastar dos que mais gosta. Falamos de pessoas, mas pode acontecer também quando há a perda de um animal de estimação. Uma vez mais o diálogo é essencial para compreender e ajudar o seu filho.


Os motivos que podem levar uma criança a rejeitar a escola são muitos e podem ocorrer em simultâneo.

A boa notícia é que, na maioria das vezes, o problema é passageiro. Esteja atento. No final de cada dia, conversem, faça perguntas. O que aprendeu na escola? Que disciplinas gostou mais? Será que sentiu dificuldades nalguma matéria? E os amigos? Quem são? A que brincaram nos intervalos?

Não desespere e, acima de tudo, não castigue antes de saber a real razão do problema.

A criança precisa de sentir que é entendida.

Tente a via do diálogo, reforce a importância dos estudos para a vida futura, mas realce também o lado mais lúdico da escola.

E já agora, avalie se o seu filho dorme horas suficientes. Será que não tem uma agenda demasiado preenchida com atividades escolares e extra-escolares.

Por vezes, algum cansaço pode ser a resposta que procura.

Lembre-se, poderá não acertar na melhor estratégia à primeira, tente uma vez mais, mas não hesite em procurar ajuda especializada, de um psicólogo, por exemplo, se entender que o problema persiste.

Já para Vera Barroso, é importante partilhar com a professora e tentar perceber o ambiente vivido em sala de aula, entre colegas, bem como os métodos mais usados, de forma a poder ajudar o seu filho a superar essa resitência.

A escola deve ser um espaço onde as crianças tenham vontade de estar (e isso cultiva-se!).

Claro que se obrigamos as crianças a gostar de estar em sala de aula com métodos pouco apelativos e totalitários, a motivação e o empenho de cada criança serão diminutos – por conseguinte, também os seus resultados escolares. Imagine-se a si… onde produziria mais enquanto profissional, num local onde o ambiente de trabalho fosse estimulante e apelativo? Ou num local, onde o ambiente fosse rígido e maçador? Sim, as regras são essenciais, mas a colocação de regras e limites não impede ambientes estimulantes!

Nos primeiros dias, é importante levar a criança à escola (mesmo que depois opte pelo transportes escolares) e ir conversando logo no carro das muitas coisas que ele irá aprender com os seus colegas.

Um bocadinho de paciência e dedicação e o seu filho vai contar as horas para voltar à escola!

Um comentário em “O meu filho não quer ir à escola: e agora?

  1. Célia Setembro 28, 2018

    Olá bom dia. O meu filho frequenta o 2ano, o 1 ano adorava ir para a escola é um bom aluno, mas agora nega_se a ir para a escola, ou é uma forma de barriga, ou é uma forma de cabeça…
    Ele só quer brincar com amigos dele, da idade dele. Quando já entram miúdos mais velhos não quer fica chateado. Gostava como devo dizer ou fazer para o ajudar. Dia sim dia não, não quer ir á escola. Está um dia bem um dia mal.

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