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Motivação escolar… precisa-se!

motivação escolar

No que se refere à aprendizagem, a motivação funciona como motor de arranque.

A motivação permite aos alunos adotar comportamentos que promovem a persistência (realizam a tarefa durante mais tempo), a intensidade (estando motivados esforçam-se mais) e a direção (concentram o seu esforço e atenção nas tarefas propostas).

Mas o que é a motivação? Quais as diferenças de comportamento entre os alunos mais e menos motivados? Que estratégias podem adoptar professores e pais? A ADCA – Apoio ao Desenvolvimento de Crianças e Adolescentes dá-nos algumas pistas.

Como podemos caracterizá-la?

A motivação consiste na força que orienta o comportamento das pessoas para a ação, colocando em prática as suas capacidades, numa determinada tarefa. Isto significa que sem motivação não é possível realizar qualquer tipo de ação, seja ela positiva ou negativa. É importante ter presente que motivação é diferente de capacidade. Assim, a motivação sobrepõe-se à inteligência, surgindo como fator principal para o sucesso escolar.

Deste modo, percebem-se diferenças comportamentais e de atitude entre os alunos motivados e os alunos desmotivados.

Os alunos mais motivados…

… têm mais iniciativa;

… encaram melhor os desafios;

… utilizam várias estratégias de resolução de problemas;

… mais entusiasmo, curiosidade e interesse;

… sentem mais autoconfiança;

… têm tendência a prosseguir os estudos;

… aplicam estratégias metacognitivas (como, por exemplo, o conhecimento sobre as suas próprias capacidades e/ou competências) e cognitivas eficientes (como o raciocínio lógico-prático e a atenção/concentração);

… aprendem mais e adquirem aprendizagens mais profundas.

Os alunos menos motivados…

… demonstram maior passividade;

… menos esforço;

… evitam os desafios;

… desistem facilmente;

… utilizam repetidamente estratégias ineficazes;

… mostram-se aborrecidos, deprimidos, ansiosos ou irritados;

… não aproveitam as oportunidades que surgem ao longo do seu percurso académico.

O que fazer para motivar os alunos?

Os professores têm um papel preponderante na motivação dos seus alunos para as tarefas escolares, devem estar conscientes do seu papel e assim serem capazes de ativar e manter a motivação dos seus alunos, serem capazes de identificar as causas da desmotivação e trabalhar a partir das mesmas, tal como estabelecerem uma boa relação pedagógica que dê segurança aos alunos.

É importante que os alunos sintam alguma responsabilidade e controlo sobre os seus estudos pois esse é um dos fatores que leva a uma maior motivação (ex. “as tuas aprendizagens são da medida da tua dedicação/trabalho/esforço”, “se trabalhares tu consegues”).

É igualmente importante que os professores permitam aos alunos a sugestão de alguns temas do seu interesse a abordar durante as aulas e dar a oportunidade de expor alguns dos temas em que se sintam mais confortáveis (ex. trabalhos práticos e dinamização de atividades na aula).

Pessoas com objetivos centrados no resultado tendem, a longo prazo, a adotar padrões comportamentais de desistência, que se caracterizam pelo evitamento de situações percecionadas como difíceis. Em contrapartida, indivíduos que tenham objetivos centrados na aprendizagem, adotam padrões comportamentais que promovem a persistência, representados pela escolha de tarefas desafiadoras e pela demonstração de níveis de realização e de persistência elevados quando confrontados com obstáculos.

Desta forma os professores devem procurar debruçar a sua atitude no processo de aprendizagem, do conhecimento e do saber, em detrimento dos resultados escolares, evitando assim concentrar os esforços e o discurso nas avaliações e resultados das mesmas (ex. “para mim o mais importante é saber que vocês estão a compreender e perceber o que vos estou a ensinar” “o teste é só um momento, é mais importante o trabalho que desenvolvemos nas aulas”).

Será importante evitar criticar os alunos, e sim fornecer um feedback explicativo, dando ao aluno a hipótese de melhorar (ex. “tenho a certeza que se treinares um pouco mais os exercícios vais começar a perceber melhor”, “ora vejamos, fizeste bem até aqui, porém esta parte, vê lá com mais atenção…”).

Devem ainda definir metas e objetivos exigentes mas alcançáveis pois assim os alunos sabem que se devem esforçar mas que com dedicação irão ser capazes de atingir esses mesmos objetivos (ex. “prestem atenção, já aprendemos estes módulos todos, agora temos as próximas duas aulas para este tema e se me ajudarem certamente conseguimos…”).

E os pais? Qual o seu papel na motivação dos filhos?

família é a base do desenvolvimento humano e por isso, tal como em todas as áreas da vida dos filhos, os pais têm um papel fundamental na motivação escolar.

A presença e o apoio dos pais no dia-a-dia do aluno incentiva a aprendizagem na escola, mas também o seu comportamento e a capacidade para lidar com os obstáculos que vão surgindo.

Quando o aluno percebe que a sua família tem interesse nas suas atividades escolares este sente-se valorizado e por conseguinte mais motivado. É por isso essencial que em idades mais tenras os pais acompanhem os seus filhos nas tarefas provenientes da escola e em idades mais avançadas continuem a demonstrar esse interesse através de conversas sobre a escola, sobre o seu dia-a-dia, sobre os seus planos para o futuro (ex. “como foi o teu dia?”, “o que aprendeste hoje?”, “que matérias estás a aprender nas disciplina de história?”, “em ciências estás a aprender o ciclo da água? O que me dizes se hoje me viesses ajudar a fazer o jantar e perceber melhor esse ciclo, vou utilizar água de certeza?”).

O reforço positivo é essencial na motivação pois este tem como objetivo principal aumentar um determinado comportamento. Deve-se dar importância aos reforços não materiais, tais como elogiar, pois se é aplicado um reforço material (i.e., receber um presente) quando o filho atinge o objetivo e na vez seguinte isso não acontecer, então isto terá um efeito contrário ao esperado e a motivação para atingir o objetivo seguinte irá diminuir.

Exemplos de alguns reforços verbais passam por: “boa!”, “Muito bem!”, “parabéns!”, “conseguiste!” “estou muito contente e feliz por…!”. Destaca-se também que os elogios verbais não devem ser seguidos de algum outro comentário mais negativo ou relacionado com a tarefa – “parabéns, mas podia ser melhor” –, uma vez que estes são prejudiciais à motivação, devemos guardar a segunda parte do comentário para um outro momento (se assim se justificar claro).

A base para uma boa relação familiar é a comunicação. Assim, os pais têm também um papel importante na alteração dos pensamentos negativos dos seus filhos (i.e., “não sou capaz”). Os pais devem então dar o empurrão inicial, ou seja, explicar como se faz, mostrar que se não tentar nunca irá ter a certeza de ser capaz ou não, ou até experimentar primeiro.

Tal como acontece com os professores é importante que os pais não julguem os fracassos dos filhos, devem sim oferecer-se para ajudar, oferecer alternativas para solucionar aquele problema. Atenção ao discurso que utilizam, pois as crianças/adolescentes são sensíveis, por isso, é importante evitarem frases como: “parabéns, mas podia ser ainda melhor”, “quanto tirou o teu colega?”. Este tipo de discurso não só desmotiva, como também cria na criança/adolescente a ideia que nunca conseguirão deixar os pais orgulhosos, fazendo-os desistir de tentar.

Considerem acima de tudo como fundamental construírem e trabalharem as boas relações, pois é nesta base que se motivam os alunos a adotar comportamentos e atitudes de acordo com o que pretendemos e/ou esperamos das crianças/adolescentes.