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Más notas? Será assim tão mau?

Más notas? Será assim tão mau?

Más notas? Será assim tão mau? A Oficina de Psicologia explica-nos tudo.

Se pensarmos nas primeiras fases do ciclo vital (infância, adolescência e início da idade adulta), elas ocorrem num contexto específico que é transversal a todas elas: a escola. É verdade, num percurso “normal”, são 17 anos de escolaridade.

Quase duas décadas repletas de muitos desafios, de muitas exigências (que se tornam cada vez mais complexas), com uma série de adversidades para colmatar.

É normal que os pais, na medida que desejam o melhor para os seus filhos, queiram que os filhos tenham bons resultados escolares e, quando estes não se verificam, é normal que isto possa gerar frustração quer nos pais, quer nos filhos.

Mas será que não há nada a retirar de bom das más notas? Por incrível que possa parecer, há! Como pai ou mãe pode retirar algo muito positivo destes resultados escolares: oportunidades? Para quê?

Eu explico:

  • Para tolerar a frustração: as más notas dão ao seu filho (e a si enquanto pai ou mãe) a oportunidade de o ver amadurecer. A aprender a lidar com a frustração de não conseguir, de falhar (algo que representa uma aprendizagem útil para toda a vida).

  • Para resolver problemas: os maus resultados podem ser uma oportunidade de ajudar o seu filho a trabalhar uma capacidade muito importante: resolução de problemas. Pode ajudá-lo a identificar o que correu mal, os entraves, hábitos e estratégias que não estão a ser eficazes e identificar soluções.

  • Para encorajar o seu filho: Pois é! O encorajamento e elogio não são para ser usados apenas nos sucessos. São também para ser usados especialmente nos insucessos. As más notas são a oportunidade ideal para transmitir ao seu filho a sua convicção de que os resultados que ele obteve não o definem enquanto pessoa, e muito menos as suas capacidades e competências. São oportunidades para lhe mostrar que acredita que ele vai conseguir. Para além disso, esta pode ser a peça chave para que o seu filho não se sinta pressionado nem desvalorizado e ganhe a confiança e descontração necessárias para melhorar os seus resultados.

  • Para o ajudar a organizar-se: esta situação pode ser útil para ajudar o seu filho a reorganizar o seu horário de estudo, de forma a que este se torne mais eficaz e produtivo.

  • Para explorar como ele se sente: os maus resultados escolares são geralmente propulsores de emoções muito difíceis como frustração, tristeza, ansiedade e medo. Procure explorar com o seu filho como ele se está a sentir e dar-lhe apoio na regulação dessas emoções, normalizando-as. 

É importante ter sempre presente que quando ocorrem maus resultados escolares, a criança/jovem sente-se geralmente muito desmotivado e incapaz.

E é nesta altura que ele mais precisa que o apoie, que o ajude a levantar a cabeça, a persistir e a procurar dar o seu melhor. Aproveite estas alturas para lhe comunicar que o mais importante é o processo, o esforço, o empenho e a dedicação dele, e não o resultado.

Isto fará com que o seu filho não se foque tanto nos resultados e consiga focar-se no que é mais importante: a caminhada até lá. Para além disso, isto fará com que ele sinta que para si ele é muito capaz, independentemente dos resultados escolares dele.

Por tudo isto, lembre-se: antes de se deixar levar pelo desânimo das más notas, procure focar-se em todas as oportunidades que estas lhe podem dar para fortalecer ainda mais a sua relação com o seu filho e a forma como esta situação pode ajudá-lo/a a provar ao seu filho o quanto o admira e se orgulha dele incondicionalmente.

 

Sandra Azevedo – Psicóloga Clínica – Equipa Mindkiddo

Oficina de Psicologia