As creches e o desconfinamento: porque as crianças têm o direito a continuarem a ser crianças! - Pumpkin.pt

As creches e o desconfinamento: porque as crianças têm o direito a continuarem a ser crianças!

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Mesmo em tempos de pandemia…

Inês Faustino, que promove atividades para bebés e crianças (dança, histórias e canções) e é Doula, Educadora Perinatal e Conselheira em Aleitamento Materno, escreve-nos sobre as medidas de segurança estabelecidas para a reabertura das creches, em tempos de desconfinamento.


Sempre me assumi uma defensora das crianças, da sua liberdade em serem simplesmente crianças.

Como cidadã e profissional, jamais poderei compreender ou concordar com as novas medidas estabelecidas para o funcionamento das creches, nesta sua reabertura.

Vivemos num cenário nunca imaginado, onde inquestionavelmente terão de ser adotadas medidas que assegurem a segurança das nossas crianças, mas também (deveria ser) inquestionável a necessidade de as escolas continuarem a assegurar o direito das crianças ao seu saudável desenvolvimento e à sua liberdade de Ser, assim como continuarem a ser um lugar seguro de transmissão de valores e afetos.

Privar as crianças de brincar livremente, de partilhar brinquedos, de conviver em proximidade. Privar as crianças de interagir entre si, de se tocarem, de se acarinharem, de aprenderem a relacionar-se sem barreiras. Privar as crianças de explorar o espaço e os objetos, de explorar o seu movimento, numa fase em que inatamente sentem o impulso para conhecer o mundo com todos os seus sentidos.

Privar as crianças de levar consigo para a escola o seu brinquedo, a sua referência que as liga ao seu mundo seguro. Privar as crianças da proximidade física da educadora e auxiliares, com quem mantêm um forte vínculo afetivo. Privar as crianças de ver rostos expressivos, de ver sorrisos, a sua âncora neste mundo dos adultos. Privar as crianças de continuarem a sentir-se seguras na sua escola, agora transformada num lugar de medos e limitações.

Que valores estamos nós a transmitir às nossas crianças? A ensinar a não partilhar? A fomentar a distância e o isolamento? A negar-lhes a sua permanente necessidade de carinho e afeto? A condicionar a sua livre expressão? A alimentar a vivência num mundo de medos e inseguranças, onde já não é possível confiar?

E, em boa verdade, será realmente possível assegurar o cumprimento destas medidas?

As crianças são passarinhos! Como lhes pedir (ou exigir) que se comportem como nós, adultos?

Bem sabemos que, para algumas famílias o regresso à escola é única opção possível neste momento. A vida assim o exige! E é esta, por agora, a nossa realidade… Que, ao final do dia, o retorno a casa se possa transformar também num retorno ao colo seguro onde é permitido ser simplesmente criança.

Por fim, deixo aqui o meu apelo. Haja a urgência, de quem de direito, para olhar e questionar estas medidas que, invariavelmente irão influenciar a vida (e a personalidade) das nossas crianças. Que se possam pesar os prós e contras, garantindo, acima de tudo a sua segurança, mas também o seu direito a um pleno desenvolvimento e à sua liberdade de crescer de uma forma emocionalmente saudável.

Haja fé!

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