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Construir uma casa de tijolos não é tranquilo!

desmotivação escolar

Como lidar com a ansiedade escolar?

Há algum tempo, Inês Custódio, Psicóloga Clínica na Oficina de Psicologia, partilhou a história dos três porquinhos, onde três personagens distintos fazem diferentes escolhas, sobre a forma de investirem o seu tempo e dedicação na construção de uma casa. Nesse texto, refletiu sobre a desmotivação de muitos alunos face à escola, no fundo os alunos que, tal como o irmão mais novo dos três porquinhos, constroem casas de palha… Hoje porém, vamos pensar no irmão mais velho desta história.

Associamos sempre “mais velho” a mais responsabilidade, logo é aquele porquinho que decide construir uma verdadeira casa de tijolo e que se dedica afincadamente a ela. Dedica-se tanto que mesmo quando os irmãos o chamam para brincar ele não vai. Não vai porque está preocupado, porque quer dedicar-se exclusivamente à sua tarefa.

Refletindo sobre os nossos alunos, vejo que é muito fácil preocuparmo-nos com os alunos que não têm motivação e que recusam grande parte dos desafios escolares. Porém, no outro extremo temos cada vez mais alunos para os quais a escola é o centro das suas preocupações, assumindo muitas vezes uma relação com os estudos pouco equilibrada e prejudicial ao seu bem-estar e desempenho positivo. Tal como o porquinho que se foca na casa de tijolos, são alunos que podem investir pouco ou quase nada na área social, por vezes estão menos envolvidos nas restantes atividades extra-escolares (pois assumem que não têm tempo), apresentam sinais de ansiedade excessiva perante testes ou outras formas de avaliação, podem questionar muito os professores e parece ter dificuldades em se relacionarem com o erro e a falha, ficando extremamente irritados ou tristes nestas situações. Por vezes, estes alunos sofrem em silêncio e podem acreditar que não são bons o suficiente, o que os leva a investirem cada vez mais tempo e energia à escola e aos resultados escolares acima da média.

Bom, “Mas mais vale construir uma solida casa de tijolos, do que uma casa de palha”, pensam muitas pessoas, acreditando que a dedicação à escola será sempre melhor que a desmotivação. Por um lado sim, mas a questão principal está no custo que isso tem na felicidade e bem-estar destes alunos, pois muitas vezes quando os questionamos sobre a escola percebemos que a aprendizagem não é um espaço de prazer, mas de obrigação e constante teste ao seu valor pessoal.

Assim, tal como com os alunos que estão mais desmotivados, também a estes jovens e crianças devemos ensinar qual o meio-termo entre a vida escolar, social, familiar, pessoal e de lazer, aumentando as suas possibilidades de vivenciarem os vários campos da sua vida com positivismo e bem-estar. Caso contrário, ao ficarem tão focados nos estudos esta poderá ser a única área onde se sentem competentes e valorizados, aumentando a pressão e mal-estar que podem conduzir ao desenvolvimento de quadros clínicos de ansiedade e/ou depressão (muitas vezes silenciosos).

Neste sentido, é fundamental que pais e educadores também estejam atentos aos alunos que estão tão focados na sua casa de tijolos que se esquecem de ser crianças, adolescentes e jovens como deveriam ser.

Ficam algumas dicas para que possam ajudar!

Se encontrar alguma incorreção contacte-nos por favor.

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