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Atividades extracurriculares: q.b.

Atividades extracurriculares: q.b.

Na altura do regresso às aulas é sempre importante decidir a quantidade de atividades extracurriculares em que vai inscrever o seu filho. Para o ajudar o processo, a Oficina de Psicologia partilha este artigo recheado de dicas super uteis.

Férias terminadas, baterias carregadas e o novo ano escolar traz consigo novas rotinas. Para muitas famílias surge a preocupação de como ocupar as crianças depois das aulas. Atividades organizadas são uma excelente opção para complementar a educação dos filhos e que contribuem para o seu desenvolvimento, sendo extremamente benéficas quer a nível físico, comportamental, social, emocional, escolar, cultural.

Têm-se notado que a oferta e diversidade de atividades extracurriculares tem crescido nos últimos anos. Porém, o número e carga horária diária e semanal também e em alguns casos com efeitos contraproducentes. As intenções dos pais são boas, contudo, a agenda da criança fica tão preenchida que facilmente se pode sentir sobrecarregada.

Algumas crianças manifestam aos pais a vontade de experimentar uma infindável lista de atividades, fruto da sua natural curiosidade e, quiçá, alguma pressão dos pares. Porém cabe aos progenitores a tarefa de escolher com bom senso o número de atividades diferentes e o tempo que ocupam na rotina diária da criança e da família. É evidente que a palavra da criança deve ser ouvida, de forma a poder praticar algo que ela goste, e não por imposição dos pais. Caso contrário, ao invés de a criança se divertir, irá encarar a atividade de forma negativa e mais cedo ou mais tarde quererá desistir. Com crianças mais crescidas, peça-lhes para classificarem as opções por ordem de preferência, explorando cada uma delas em conjunto. Posteriormente, caberá aos pais decidir, tendo em conta critérios adicionais (ex.: preços, horários, localização, rede social, necessidades de desenvolvimento do filho, etc.).

Para alguns pais, manter os filhos constantemente ocupados é mais produtivo, contudo convém lembrar a importância do tempo livre para a criança brincar, explorar e aprender por conta própria. Além disso, a pressão para participar numa mão-cheia de atividades pode ser física e emocionalmente desgastante para as crianças e também para os pais. Tendo em conta que a par dos compromissos profissionais e afazeres pessoais dos pais, as suas rotinas e dinâmicas familiares são fortemente afetadas pelas atividades dos filhos após as aulas.  

É essencial acompanhar a participação da criança nas atividades, de modo a que a criança sinta que os adultos também se interessam pelo que faz fora da escola. 

Se o seu filho nunca leva as atividades até ao final do ano, mostre-lhe desde cedo que fazer escolhas tem a ver com responsabilidade e que cada escolha tem consequências. Faça um acordo com ele e explique-lhe porque não deve desistir.

Não existe uma medida certa, uma vez que cada família e cada criança tem os seus interesses, necessidades e possibilidades próprias. Por isso, o equilíbrio entre aulas, atividades extra, convívio com a família e descanso é a palavra-chave. Para verificarem se o tempo da criança está bem distribuído, a família pode planificar por escrito a semana e perceber mais claramente se as atividades extra estão a roubar tempo a atividades fundamentais.

 

Raquel Carvalho

Psicóloga Clínica da Equipa Mindkiddo da Oficina de Psicologia