(Re)adaptação à creche em tempos de pandemia - Pumpkin.pt

(Re)adaptação à creche em tempos de pandemia

regresso à creche

Se, por um lado, para muitas famílias, o retorno à creche se demonstra absolutamente necessário, simultaneamente pode ser absolutamente assustador.

A decisão de levar os filhos novamente à creche pode fazer-se acompanhar de muitos sentimentos contraditórios para os pais que têm de tomar a decisão de voltar a deixar os seus filhos naquele espaço que antes representou uma segunda casa, um espaço de segurança, confiança e tranquilidade para as famílias.

No entanto, apesar de tudo isto, é muito importante que os pais/ cuidadores compreendam que, a forma como estes se sentem, é inevitavelmente transmitida à criança e que, por isso, é muito importante que (dentro do possível!) lhe procurem transmitir alguma calma e tranquilidade para que este processo seja feito da forma mais fácil possível. A Psicóloga Andreia Ferreira, da Fale Connosco, explica-nos algumas estratégias a adotar para uma melhor adaptação de pais e filhos.

As possíveis dificuldades para as crianças

Ingressar pela primeira vez numa creche ou voltar à escola no fim das férias do verão nem sempre é fácil e por isso também agora este regresso pode ser um desafio. De facto, as crianças estiveram durante dois meses em casa com os cuidadores, num período onde muito provavelmente o contacto com pessoas externas ao seio familiar foi muito reduzido, o que poderá potenciar alguns sentimentos de medo e ansiedade perante a exposição a outras pessoas, principalmente na ausência das figuras de vinculação.

Assim, podemos compreender que é perfeitamente natural que este (re)ingresso na escola se faça acompanhar de sentimentos de insegurança e ansiedade, muito característicos da fase de desenvolvimento em que grande parte destas crianças se encontra: a ansiedade de separação.

As dúvidas que se impõem…

Se num processo normal de (re)integração dos filhos na creche já existem uma série de dúvidas e anseios que podem surgir nos pais (como por exemplo, a culpa motivada pelo sentimento – mesmo que inconsciente – de que estão a causar sofrimento ao filho ou a deixá-lo ao cuidado de outra pessoa; ou a insegurança quanto à capacidade dessa mesma pessoa prestar os cuidados necessários ao filho), neste momento todos estes sentimentos podem estar muito mais ativos e conscientes!

Há dúvidas que se levantam em relação à atuação dos profissionais que trabalham de perto com estas crianças: como se poderá manter um dos maiores motores da aprendizagem – o afecto – quando se impõe um certo distanciamento entre crianças e educadores? Como se poderão manter as condições de higiene necessárias quando falamos de faixas etárias em que as mãos e a boca são as grandes ferramentas de exploração do mundo? Como se poderá manter o distanciamento entre crianças que precisam de se tocar para vivenciarem as relações com os pares? Entre muitas outras…

Todas estas dúvidas são válidas e completamente compreensíveis e a verdade é que não existem palavras mágicas que possam amenizar a intranquilidade que os pais possam estar a sentir… Talvez agora possamos compreender um bocadinho os medos das crianças: também nós temos, agora, um “bicho papão” que, apesar de invisível, sabemos que existe e nos ameaça! A grande diferença é que não temos um adulto em quem confiamos a 100% e que nos possa dar um beijinho, dizer que vai ficar tudo bem e, como por magia, mandar o bicho papão embora…

Como promover uma boa adaptação da família à creche?

A forma como os pais se sentem face ao regresso do seu filho à creche, irá influenciar a forma como a própria criança percepciona esse momento e, consequentemente, a sua adaptação ao mesmo. Assim sendo, é muito importante que os pais se tentem manter o mais tranquilos possível com esta decisão e, para tal, a confiança nos profissionais que vão acolher o seu filho é fundamental! É, também, muito importante que tenham espaço para que possam colocar todas as dúvidas e para que possam expor todas as ansiedades pois, neste momento, não é só a criança que necessita de se sentir acolhida pela creche, mas sim toda a família!

É, também, muito importante conversar com a criança, isto é: explicar-lhe, numa linguagem em que ela compreenda, o que irá acontecer e prepará-la para esta mudança, antecipando junto da criança que irá ficar na creche mas que os pais irão voltar para a ir buscar, sendo que esta noção de previsibilidade é fundamental para que se possam desenvolver sentimentos de segurança na criança e, assim, poder estar facilitada esta reintegração. Mesmo que seja um bebé com maior ou menor nível de compreensão não deixe de lhe explicar, as suas palavras podem tranquilizar.

Por fim, tal como numa integração na escola que seja feita num momento normal, é importante que as despedidas sejam curtas, não prolongando esse momento mesmo que a criança chore e peça que os pais fiquem pois, ao fazê-lo, só irão potenciar os medos sentidos pela criança.

A reter:

  • A forma como os pais se sentem é transmitida à criança e, por isso, a tranquilidade dos pais é um dos factores mais importantes neste processo;
  • Todos os medos e ansiedades que os pais possam sentir são válidos e devem ter um espaço para serem expressos: seja no seio familiar, junto dos profissionais da creche ou, até mesmo, num processo psicoterapêutico se sentirem que pode ser benéfico;
  • Nos períodos de ansiedade de separação, é natural que a criança demonstre dificuldade em separar-se dos pais;
  • Conversar com a criança sobre o que ela sente e antecipar o que vai acontecer poderá ser um facilitador da boa adaptação à creche;
  • É importante que os pais sejam firmes na hora da despedida, não prolongando esse momento.

Qualquer dúvida fale connosco, estamos cá para ajudar!

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