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Doces e mais doces

Doces mais doces

Todos sabemos que as crianças adoram doces, mas que estes são prejudiciais. O açucar é necessário para a alimentação dos mais pequenos mas existe o bom e o mau açucar. Confuso? A Bebé Gourmet explica-lhe tudo.

Embora não se saiba ainda claramente qual o mecanismo que leva a que uma criança tenha mais apetência para doces do que outras, sabe-se que assim que uma criança prova um alimento doce, retém uma memória desse paladar e busca-o em todos os alimentos a partir de então.

O açúcar faz falta e é essencial na nossa alimentação e na dos nossos pequenotes. Refiro-me aos açúcares presentes naturalmente nos alimentos, e não ao açúcar que existe nos frascos das nossas dispensas (a sacarose). Refiro-me à Glicose, rainha do nosso metabolismo.

O nome Glicose vem do grego glykys (γλυκύς), que significa “doce”, mais o sufixo -ose, indicativo de açúcar. É responsável pela nossa energia além de ser precursora de outras moléculas importantes e essenciais à vida.

Estes açúcares naturais, denominados de oses, podem ser encontrados em quase todos os alimentos, por exemplo, no leite encontramos a lactose (..ose), na fruta encontramos a frutose (…ose), no pão encontramos o amido (..ose??) que será ao logo da digestão desdobrado em várias moléculas de glicose (Ah…. ose!!). Estes sim, são açúcares essenciais ao nosso corpo e deveriam ser estes os únicos açúcares na alimentação dos bebés e crianças.

E desengane-se se pensa que conhece bem todos os alimentos que oferece ao seu mais que tudo. Ler os rótulos hoje em dia é uma verdadeira acrobacia. Parece que as indústrias se uniram e criaram códigos perfeitamente indescodificáveis ao mais comum dos consumidores, leigos em literacia industrial.

São “números E”, são aditivos, são conservantes, são estabilizantes e como se não lhes bastasse, ainda mascaram os açúcares com os seus nomes químicos que, de pouco ou nada, se parecem com alguma palavra comum. Faça um teste e consulte os ingredientes de alguns produtos nas prateleiras do seu frigorífico, ficará facilmente impressionado.

Eu encontrei melaço e glicose no meu molho inglês, lactose e dextrose no meu fiambre de peru, sacarose, frutose, xarope de glicose-frutose e amido modificado no meu Ketchup, levulose e dextrose e maltodextrinas nos meus enchidos (escolhidos a dedo com muitas reticências e com teores de gordura do mais em conta que pode existir), para não referir os cereais e sumos que são verdadeiras bombas. Doce em todo o lado! Keep it simple and organic.

Ser boa mãe não é conhecer estes malvados de cor e salteado, nem sequer saber onde os encontrar. É ter a genica de oferecer a maior variedade possível de alimentos puros ao seu mais que tudo. Mas se ainda assim quiser saber mais sobre os aditivos e os temíveis “E”, saiba que a Food Standards Agency (www.foof.gov.uk) tem uma publicação inteirinha à sua espera.

Os nossos conselhos para reduzir a ingestão de açúcares do seu pequenote e evitar o mecanismo da gula que daí advém, são:

  • Reduzir ou eliminar o consumo de sumos industriais;

  • Reduzir ou eliminar o consumo de produtos de elevada densidade energética;

  • Reduzir ou eliminar snacks tipo barras de cereais;

  • Reduzir ou eliminar consumo de molhos industrializados como ketchup, molhos de barbecue, entre outros;

  • Reduzir ou eliminar sopas empacotadas, principalmente se o seu pequeno tesouro é ainda pequeno.

Comece por aqui que já é uma grande vitória.

É SEMPRE preferível oferecer às crianças sobremesas feitas de forma caseira sobretudo à base de frutos e tubérculos (naturalmente doces), em substituição do tradicional açúcar branco, chocolates, caramelos e outros alimentos artificialmente açucarados, para satisfazer os desejos de algo doce. Além destes não serem essenciais, trazem outras questões associadas nada benéficas, as cáries.

Garantir que tem sempre fruta à disposição ou uma sobremesa saudável e sem açúcar, para além de saciar o desejo por doces, vai numa fase posterior da vida, restringir muito o desejo por açúcar e o número de idas às pastelarias em busca de doces artificiais e prejudiciais.

Se pretender ajuda neste campo, saiba que a Bebé Gourmet oferece uma variedade de frutas frescas, frutas cozidas, sobremesas naturalmente doces (sem adição de açúcar) e até uma opção sem laticínios. Tudo isto, embalado com carinho e selado com saúde.

Ofereça saúde agora e no futuro ao seu bebé!

 

Carolina Fernandes

Nutricionista e Coordenadora de Produção da Bebé Gourmet