14 filmes infantis para meninas (e meninos!) com personagens femininas inspiradoras - Pumpkin.pt

14 filmes infantis para meninas (e meninos!) com personagens femininas inspiradoras

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Nem todas as princesas esperam pelo príncipe: é fundamental entender que os produtos culturais aos quais temos acesso nos formam como pessoas!

Livros, séries e filmes são um dos maiores ganchos para a promoção de muitos dos valores em que baseamos a nossa existência e os nossos comportamentos. Por isso, faz-nos todo o sentido que as nossas meninas (e meninos) vejam desde sempre filmes infantis com personagens femininas e fortes.

É mesmo muito importante ter especial atenção ao tipo de cultura a que expomos as nossas crianças, que estão, nestas idades, ainda a desenvolver a capacidade de filtrar, assimilar e identificar uma mensagem, positiva ou negativa.

Filmes infantis para meninas: o príncipe e a princesa viveram felizes para sempre?

Não!

Branca de Neve, perseguida por mulher invejosa da sua beleza, morde uma maçã e cai num sono profundo do qual só o beijo de um príncipe pode acordar.

Bela Adormecida recebe dons de fadas – o primeiro, claro, é o da beleza. Também ela só despertará da sua maldição, lançada por uma vilã – novamente, mulher – quando salva pelo amor de um príncipe.

Ariel, a Pequena Sereia, vai contra o estabelecido pelo pai, é castigada e perde a voz.

Cinderela é maltratada pela madrasta e pelas irmãs, cala o orgulho e é sua escrava, até que um príncipe lhe traz um sapato de cristal e a salva das malvadas.

Que tipo de lição estamos a passar às meninas, quando grande parte dos filmes infantis clássicos nos apresentam personagens femininas submissas, subalternas, fúteis, competitivas entre elas, voltadas para o trabalho doméstico e incapazes de feitos históricos, de viver grandes aventuras e de se saírem bem?

Que tipo de mensagem estamos a passar aos meninos, quando a maioria das narrativas cinematográficas da sua infância mostram apenas donzelas indefesas, que querem apenas encontrar o amor?

Os dados dizem-nos que para cada três protagonistas masculinos temos uma protagonista feminina. Já que não podemos controlar aquilo que Hollywood produz, devemos como pais garantir o equilíbrio e dar a conhecer às nossas abobrinhas filmes igualmente divertidos e com meninas fortes, poderosas, que assumem papéis de liderança.

Reunimos por isso alguns filmes que podem iniciar uma conversa com as crianças sobre representatividade das mulheres e a igualdade de direitos.

Filmes de animação com personagens femininas inspiradoras

Os Mitchell contra as Máquinas

A premissa pode parecer cliché, à partida: afinal, “Os Mitchell contra as Máquinas” traz-nos um cenário apocalíptico, após os robots dominarem os humanos. No entanto, este filme com a chancela Netflix é muito mais do que isso!

Nesta história muito moderna e divertida, com referências ao TikTok, ao Youtube e à cultura geek atual, vamos conhecer (e apaixonar-nos!) pela família de Katie Mitchell, uma adolescente em fase de rotura com o pai, que consegue entrar na faculdade de cinema com que sempre sonhou e que não vê por isso a hora de sair de casa.

Os seus conflitos com Rick são sobretudo geracionais, mas adensam-se a certa altura quando, vistos subitamente atacados por robots, pai e filha têm perspectivas muito diferentes sobre que estratégia levar a cabo para salvar o mundo.

A verdade é que Katie, inspiradora, inteligente e perspicaz, desenvolve um plano vitorioso que, ainda que nem sempre perfeito, vai salvar o mundo da dominação tecnológica e a família do desconectar iminente.

A Ganha-Pão

Parvana é uma jovem que vive num Afeganistão governado pelas forças talibãs, cujo terror tenta silenciar a existência da mulher.

Quando o pai é preso de maneira injusta, Parvana disfarça-se de menino para trabalhar e garantir assim o sustento da sua família.

Além de abordar a tragédia humanitária do Afeganistão, “A Ganha Pão” traz-nos um alerta importante: nem só de ficção se faz uma animação.

Um final feliz e simplista quebraria toda a força da denúncia que se construiu com o filme, e por isso, apesar de dura e triste, esta história demonstra com nitidez os problemas de domínios fundamentalistas e de como estes aprisionam a mulher.

Brave

Merida é uma habilidosa arqueira e a impetuosa filha do Rei Fergus e da Rainha Elinor. Determinada a trilhar o seu próprio destino, Merida desafia um costume ancestral, sagrado para os poderosos senhores da terra: o intenso Lord MacGuffin, o arrogante Lord Macintosh e o irritante Lord Dingwall.

As ações de Merida lançam inadvertidamente o caos e a fúria no reino, e quando ela recorre a uma velha e excêntrica Bruxa, a ajuda vem em forma de maldição. O perigo iminente força Merida a descobrir o significado da verdadeira coragem para que possa desfazer a terrível maldição antes que seja tarde demais.

Brave é muito mais do que a história de uma menina que não se encaixa nos padrões esperados e que por isso muda esses padrões. Merida e a sua mãe são personagens incríveis e a lição de família que o filme passa é muito forte.

Frozen

Em “Frozen”, a destemida e otimista Anna parte em uma épica jornada ao lado do radical alpinista Kristoff e da sua leal rena Sven para encontrar sua irmã Elsa, cujos poderes gelados condenaram o reino de Arendelle a enfrentar um inverno sem fim.

Numa corrida contra o tempo para impedir o reino de ser destruído, Anna e Kristoff encontrarão trolls místicos, um divertido boneco de neve chamado Olaf, baixíssimas temperaturas e muita magia em todos os lugares.

Frozen subverte a narrativa que elogia o príncipe como um herói, traz-nos personagens muito bem desenvolvidas e foca-se na relação entre as irmãs, mostrando que o amor vence e resolve os problemas, sim, mas que nem sempre este depende de um homem.

Aliás, o filme rasga narrativas anteriores e mostra-nos como pode ser perigoso que Anna se case com um homem que acabou de conhecer. Já “Frozen 2” reforça esta mensagem de independência feminina e coragem.

A Princesa e o Sapo

“A Princesa e o Sapo” é uma versão moderna de um conto clássico, que nos traz a história de uma rapariga chamada Tiana e de um príncipe sapo que tenta desesperadamente voltar a ser humano.

Além de ser um ponto fora da curva dos filmes eurocêntricos e mostrar um pouco da cultura afro e crioula do sul dos EUA, muito importante na representatividade, “A Princesa e o Sapo” retrata uma jovem negra trabalhadora cujo maior sonho não é casar-se com um príncipe, mas sim ser dona de seu próprio negócio.

Mulan

A história de Mulan passa-se na China da Dinastia Han e conta como uma jovem destemida e corajosa decide colocar em risco a sua vida para salvar o seu pai e a sua Pátria.

Quando o seu país é invadido e o seu pai doente é recrutado para a guerra, Mulan decide disfarçar-se de homem – já que as mulheres não eram permitidas no Exército -, treinar para se tornar um bom soldado e, assim, ocupar o lugar do pai no exército chinês.

Acompanhada pelo seu gentil e engraçado dragão de guarda, Mushu, Mulan aplica-se com afinco e persistência e acaba por aprender muitas lições sobre coragem, honra e amor.

Esta forte guerreira é inteligente, ágil e esperta, e o filme explora isso de maneira extremamente divertida, além de representar uma mulher que foge do padrão eurocêntrico até então adotado pela Disney. Mulan subverte os papéis de género numa sociedade muito rígida e luta quase até à morte pela sua honra e a da sua família.

Pocahontas

Ao longo da costa da Virgínia americana, a índia Pocahontas observa a chegada dos ingleses, liderados pelo ganancioso governador Ratcliffe e pelo capitão John Smith.

Na companhia dos seus brincalhões companheiros, Meeko, um guaxinim, e Flit, um beija-flor, Pocahontas vai-se aproximando dos colonizadores e desenvolve uma forte paixão pelo capitão Smith.

Quando o inevitável confronto entre as duas diferentes culturas tem lugar, Pocahontas procura o auxílio da velha e sábia árvore falante Avó Willow para encontrar uma forma de todos poderem viver juntos em paz.

Apesar da distorção na história original de Pocahontas, o filme traz-nos uma protagonista interessante: a princesa-índia de espírito rebelde, que desafia as convenções, persegue uma vida construída com base nas suas escolhas e não quer ficar presa ao fardo e à tradição de casar com um membro da sua tribo. Pocahontas busca ser uma mulher importante e fazer a diferença na vida do seu povo.

A Avó Willow, que contém o espírito da avó de Pocahontas, é o ser mais sábio do filme – uma reviravolta interessante, já que a sabedoria sempre foi um direito negado às mulheres, na História.

Lilo e Stitch

Nas paradisíacas e exuberantes ilhas Havaianas, uma pequena rapariga órfã chamada Lilo adopta o que julga ser um inocente cãozinho e chama-lhe Stitch, desconhecendo que o bichinho é na realidade o perigoso resultado de uma experiência genética que fugiu do seu planeta.

Inicialmente, Stitch vê Lilo apenas como escudo humano para escapar aos caçadores de prémios decididos a capturá-lo, mas é a inabalável crença da menina na ‘Ohana’ (a tradição familiar havaiana) que conquistará o coração de Stich. O animal vai assim descobrir algo para o qual não esteve jamais preparado – a capacidade de se preocupar com o outro.

“Lilo e Stitch” apresenta-nos corpos que se aproximam de forma mais fiel às proporções da mulher. Nani, a irmã mais velha de Lilo, é magra, sim, mas tem quadril e pernas grossas – uma imagem praticamente inédita entre personagens de filmes infantis.

Além da grande variedade étnica que o filme apresenta, “Lilo e Stitch” traz-nos ainda inúmeras personagens secundárias femininas, aumentando consideravelmente a representação de mulheres perante o normalmente retratado nos clássicos.

Vaiana

Para John Musker e Ron Clements (autores de “Aladdin” e “A Pequena Sereia”), Vaiana é “a heroína mais feminista da Disney”.

Para Osnat Shurer, a produtora do filme, esta é uma protagonista com quem ela pode, “finalmente, e como mulher, identificar-se”.

Vaiana navega sozinha o seu barco, salva um recife de corais e enfrenta uma tormenta marítima e enfrenta, de remo na mão, um semideus,a quem exige que desfaça a injustiça que está a amaldiçoar o seu povo.

Este filme, na senda de outros como Frozen, não nos traz a típica história de romance. Apesar de os diretores não declararem o amor morto para o universo Disney, acreditam que os príncipes precisam ser repensados. Ainda bem, dizemos nós!

Kiki, a Aprendiz de Feiticeira

Kiki é uma jovem bruxa que acabou de completar 13 anos. Segundo a tradição, quando atingem essa idade, todas as bruxas devem sair de casa por um ano para aprender a viver por conta própria.

Ela muda-se então para a cidade de Korico, na companhia de Jiji, o seu gato falante, e vai ter que aprender a seguir em frente com a sua vida, apesar de todas as dificuldades que possam surgir.

O período da pré-adolescência/adolescência é muitas vezes difícil de ser retratado em obras audiovisuais, mas neste caso, é impossível não gostarmos muito da protagonista e de vibrar com a sua jornada de crescimento.

Outros filmes infantis com personagens femininas inspiradoras

Matilda

Matilda Wormwood é uma criança brilhante com apenas seis anos, que cresceu com pais ignorantes e que a desprezam, a ponto de se esquecerem de a matricular na escola.

A menina está sempre em casa ou na livraria, e apaixona-se pelo universo dos livros, através dos quais costuma estimular a imaginação. Após uma série de estranhos acontecimentos, que levam Matilda a desconfiar ter poderes mágicos, os pais enviam-na para um colégio interno.

O local é controlado com mão de ferro pela diretora Agatha Trunchbull, o que faz com que Matilda apenas se sinta bem com a professora Honey, que tenta ajudá-la o máximo possível e que é uma espécie de “príncipe não tradicional”. Apresenta-se como amiga e inspiração de Matilda, no feminino, e também ela persegue as conquistas pessoais e não o amor.

Ao longo da história vemos Matilda, uma menina carismática, sensível e resiliente, com ideias próprias e que se destaca pela sua inteligência, enfrentar preconceitos de género – principalmente sublinhados pela própria mãe, que, ao contrário da professora, acredita que “as mulheres devem ser vistas, mas não ouvidas” e que uma “rapariga deve demonstrar beleza e não inteligência, para conseguir um bom marido”.

Rainha de Katwe

Phiona Mutesi é uma jovem do Uganda que faz de tudo para alcançar o seu objetivo de se tornar uma das melhores jogadoras de xadrez do mundo.

Órfã de pai, vive numa região muito pobre e foi obrigada a abandonar a escola por falta de dinheiro. No entanto, está decidida a enfrentar todos os obstáculos para tornar o seu sonho realidade.

Ao contrário da maioria dos filmes da Disney, não existe um salvador nem um vilão – e menos ainda brancos. O racismo tratado é estrutural, funcionando como força motriz, mas este preconceito de classe é superado de uma forma bonita.

A maioria dos personagens principais são mulheres, e mulheres fortes.

Wadjda

Wadjda tem dez anos de idade, e mora no subúrbio de Riade, a capital da Arábia Saudita. Teimosa e cheia de vida, adora brincar com os rapazes.

Um dia, após uma disputa com o amigo Abdullah, vê uma bela bicicleta verde à venda. Wadjda fica encantada e quer muito comprá-la, para ganhar todas as corridas, mas na sociedade conservadora onde vivem, as meninas não podem conduzir carros ou andar de bicicleta. Wadjda torna-se então determinada a vencer a intolerância.

Muito bonito e inspirador, é, além de tudo, o primeiro filme saudita dirigido por uma mulher.

Enola Holmes

Enola Holmes é uma menina adolescente cujo irmão, 20 anos mais velho, é o famoso detetive Sherlock Holmes – e que vive, por isso, ofuscada pelo brilho de um irmão com quem pouco convive.

Quando a sua mãe desaparece, aparentemente escapando das amarras tradicionais da sociedade vitoriana e deixando dinheiro para trás para que Enola faça o mesmo, a menina inicia uma investigação para descobrir o paradeiro da mãe.

Ao mesmo tempo, Enola precisa de fugir para enfrentar os desejos do outro irmão, Mycroft, que quer mandá-la para um colégio interno feminino. Logo a ela, que odeia tudo aquilo que a convenção lhe diz ser “certo para uma menina”!

A caminho de Londres, Enola conhece um lorde também ele em fuga e envolve-se numa nova investigação, desta vez para descobrir quem tenta impedir que uma importante reforma política inglesa aconteça.

Leve e descontraído, “Enola” é um hino ao poder feminino!

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