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“Super-uso” da tecnologia na Infância

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A tecnologia está a mudar o mundo em que vivemos... Há alguns meses que reflito sobre a influência das novas tecnologias no processo educativo. Pensei em escrever um artigo esclarecedor, para pais e educadores, com informação credível e possível de se colocar em prática.  

Conceição Pereira, do blog Pro@Educar, traz-nos uma reflexão sobre o quão bem estaremos a lidar com as ferramentas tecnológicas na nossa vida e como é que devemos tirar vantagem e partido da utilização, por parte dos nossos filhos, da tecnologia na infância. 

As novas tecnologias (tablets, computadores, jogos electrónicos, smartphones) fazem parte da sociedade atual e portanto da nossa vida. Não há margem para dúvida, vieram para ficar e com grande potencial de evolução. Quantos de nós questionamos as vantagens ou desvantagens da sua utilização pelas crianças. Pais, professores e educadores falam sobre o tema, debatem ideias e deste encontro emergem diferentes perspetivas e opiniões. Segundo referiu Francisco Quesado, presidente da Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública (ESPAP), numa entrevista ao DN  – “A construção duma Sociedade da Informação e do Conhecimento é um desafio complexo e transversal a todos os atores e exige um capital de compromisso colaborativo entre todos”.

Se por um lado a tecnologia permite que nos aproximemos de pessoas que estão longe, por outro, pode afastar-nos daqueles que estão perto. E nesta linha de pensamento, surgem algumas questões pertinentes, que servirão de base a esta reflexão: Será que estamos a lidar bem com esta vantagem tecnológica? Devemos permitir que as crianças tenham contato com as mais variadas ferramentas tecnológicas? Qual é o papel dos adultos na educação tecnológica das crianças?

Sou de opinião que não podemos ignorar a evolução, privando a criança do acesso a este tipo de ferramentas. Já dizia o velho ditado ” o fruto proibido é o mais apetecido”.  As tecnologias só serão prejudiciais se afastam a criança da interação com o mundo real e a impedem de realizar aprendenduzagens significativas. Assim sendo, devemos integrá-las de modo consciente na rotina, tendo em conta a idade e carateristicas da criança, sem ignorar as consequências do seu esto na saúde fisica e psicológica da criança. Tendo em conta o desenvolvimento de uma criança, o uso de aparelhos electrónicos não deve ser permitido até aos 3 anos.

Um dos requisitos fundamentais para permitir a utilização de equipamentos eletrónicos é a existência de acompanhamento do adulto por forma a garantir interação fora da tela. Segundo o psicológo André Trindade, ” … a tecnologia é uma ferramenta, é uma espécie de vantagem, se conseguir usá-la de forma criativa com o seu filho”. O autor desenvolve a ideia de que a perda de contato visual e fisico com a criança deve ser motivo de preocupação na educação de uma criança.

Através da leitura de alguns artigos de referência, fui-me apercebendo que o essencial é existirem regras pré-estabelecidas e supervisão/acompanhamento na exploração dos dispositivos. Ver uma árvore num tablet é muito diferente de vê-la num parque. É ou não é? O segredo reside, essencialmente, nas relações que podemos estabelecer entre experiências. A exploração de imagens ou conteúdos no tablet ajudam a conhecer características, obter informações e o contato com o mundo real permite à criança usufruir de experiências sinestésicas (ouvir, ver, tocar, sentir) vitais para o seu desenvolvimento.

Tendo em conta a evolução do mundo, os pais/educadores têm a grande missão de ajudar a criança a conviver de forma saudável com a tecnologia, dando-lhes ferramentas para viver neste mundo em evolução. Augusto Cury, num dos seus livros, introduz um tema inovador e bastante pertinente. Este defende que assim como existem rotinas de higiene corporal, os pais, devem preocupar-se tanto ou mais, com uma boa higiene psíquica. Para tal devem adoptar rotinas que filtrem os estimulos multimédia, por forma a que a criança, seja um ser informado e livre para escolher e não desenvolva dependência de estimulos para se sentir bem e feliz.

Deixo-vos alguns tópicos importantes facilitadores de uma dieta tecnológica equilibrada:

  • Seja um modelo para o seu filho, controlando o seu próprio uso dos aparelhos eletrónicos. As crianças aprendem por imitação;
  • Defina regras de utilização dos aparelhos electrónicos e conversar com  a criança acerca das mesmas;
  • Brinque com o seu filho, dê alternativas ao uso das novas tecnologias;
  • Impedeça o uso de aparelhos em momentos da rotina diária ( refeições, repouso…);
  • O tempo de uso não deve exceder os 30 minutos consecutivos, sendo muito importante a qualidade dos conteúdos assistidos;
  • Não permita o acesso a tecnologia após o jantar ou na hora que antecede a ida para a cama;
  • Aproveite para estar com a criança no momento em que utiliza o tablet, contar uma história interativa ou explorar um tema através de sons e/ou imagens;
  • Não ofereça tecnologia a uma criança, ela terá todo o tempo do  mundo para investir nessa área. A criança precisa desenvolver soft-skills que promovam o seu desenvolvimento social, mental, fisico e emocional.

Segundo Raffi Cavoukian, fundador do Centre for child Honouring, “nenhum toque que realmente emocione virá de representações artificiais do mundo. Aprender no mundo real é primordial para uma experiência positiva e formativa.” Desta forma, é fundamental que os adultos, pais e educadores, não se demitam deste papel, importante e determinante, para que a criança aprenda a viver nesta sociedade da informação, protegendo-se do uso descontrolado de equipamentos electrónicos e principalmente, do isolamento social.

“La irrupción de las nuevas tecnologías nos obliga a educar a los niños de forma distinta”.

(Howard Gardner)

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