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Pokémon Go: Vai apanhá-los todos?

Pokémon Go: Vai apanhá-los todos?

O Pokémon Go é a nova loucura mundial. O que é? Para que serve? Como é que se joga? A Pumpkin foi investigar o fenómeno e conta-lhe tudo! E a sua família, vai apanhá-los a todos? 

O Pikáchu ganhou vida e toma o pequeno-almoço no café da esquina da nossa casa. À tarde, enquanto nos desviamos das pessoas que correm, esbarramos com um Squirtle também ele cheio de pressa, ali mesmo, na estação de Entrecampos, onde todos os dias apanhamos o comboio para casa. Já a relaxar, ligamos a televisão e chovem as notícias: foi avistado um Vaporean, um dos mais raros Pokémon do mundo, no Central Park de Nova Iorque, de repente invadido, a horas já impróprias, por milhares de pessoas desejosas de o caçar.

O que é que se passa exactamente? A memória colectiva remete-nos para o final da nossa infância, com as manhãs passadas a ver desenhos animados, as colecções de cartas de Pokémon de diferentes poderes, o Gameboy onde enfrentávamos batalhas e desafios em busca de Charmeleons. Agora, o jogo é diferente. A Nintendo lançou a 6 de Julho a app free que permite, em tempo e localização real, promover uma caçada aos Pokémon. Na prática, o que a Nintendo fez foi trazer sobrepostos à nossa realidade, através de um ecrã de smartphone, os bonecos com que muitos de nós crescemos.

Os benefícios, ainda que associados a um potencial vício e ancorados pelo uso da tecnologia, são muitos. O mais óbvio é este: o jogo obriga as pessoas a andar. O próprio nome da aplicação o indica, já que “go” significa ir. Os Pokémon estão em todo o lado; nas bancadas do Estádio do Dragão, em restaurantes, nos parques, nas ruas. E é esse o diferencial que atraiu mais de 65 milhões de pessoas em todo o mundo: de repente, já não se está confinado ao sofá.

O Meo Arena, por exemplo, é um ginásio para se treinar os Pokémon caçados, através de batalhas com outros “treinadores” que aí se concentram. Também existem as PokéStops, uma espécie de loja, mas física, como o Estádio da Luz, onde os jogadores podem ir buscar mais Pokébolas, com as quais caçam as criaturas mágicas, e também ovos. Quando o jogador anda 2, 5 ou 10 kilómetros, o ovo estala e dele nasce um Pokébaby.

De todo o mundo chegam relatos do “efeito Pokémon”. Alguns deles são comoventes e mostram o impacto que o jogo pode ter na vida de alguém. Lenore Koppelman é americana, e o filho, Ralphie, é autista. A mãe publicou um post no seu facebook onde partilha a sua história. Em condições normais, começa por contar, o menino não interage com outras crianças, não fala muito e só se sente confortável em locais públicos se a circunstância se encaixar na estrita rotina por ele criada. Tudo mudou depois de caçar o seu primeiro Pokémon, na padaria do bairro: ficou tão entusiasmado que partilhou o momento com outra criança. Os dois trocaram um cumprimento efusivo e Lenore quase chorou. No entanto, as surpresas continuaram. Uma senhora apercebeu-se de que Ralphie estava a caçar Pokémon e disse-lhe que havia alguns no parque. “Ele é, normalmente, muito rígido com a sua rotina”, conta a mãe, “mas esta noite implorou para ir ao parque jogar. Estava feliz por mudar um pouco as coisas. Ficámos em choque!”. Pela primeira vez nos seus poucos anos de vida, Ralphie interagia com outras pessoas, inclusive adultos. “O meu filho está a socializar. Fala com pessoas. Sorri para as pessoas. (…) Estranhos. Olha para eles. Nos olhos. Ri com eles. Partilha algo em comum com outros. Isto é maravilhoso. Obrigada, Nintendo. Este era o sonho de qualquer mãe com uma criança autista.”

Já está curioso? Ainda que o público-alvo da companhia de videojogos não seja, à partida, os nossos filhos, que pouco conhecem a realidade de Ash, Team Rocket e companhia, a Pumpkin juntou algumas sugestões de programas familiares divertidos, mas também didácticos, com os Pokémon como companhia. Divirtam-se, mas cuidado ao atravessar a estrada!