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O meu filho, os jogos de computador e eu

O meu filho, jogos computador eu

Veja as sugestões da Oficina de Psicologia para que a tecnologia não tome conta dos tempos livres do seu filho.

“Desliga isso”, “Larga o tablet”, “Pára de jogar”, estas frases são frequentes aí por casa?

De facto, vivemos num mundo onde nas últimas décadas as tecnologias cresceram a um ritmo alucinante e rapidamente invadiram diferentes contextos, nomeadamente o universo infantil.

Quando falamos em tecnologias e na relação das crianças com as mesmas, é importante reconhecer o quão tentadoras elas são. Se pensarmos na azáfama do dia-a-dia e na infinidade de coisas que os pais têm para fazer em casa, ceder a um pouco mais de tempo para as tecnologias é bastante tentador, pois cada vez mais o PC e o tablet parecem ser das poucas coisas capazes de manter as crianças sossegadas durante horas.

Por essa razão, é importante desmistificar esta “teoria”. Se pensarmos na década de 90 por exemplo, as crianças viviam bem sem computador, os tablets eram uma realidade distante e nem por isso foi uma década desprovida de possibilidades de entretenimento.

A principal ideia chave a reter é que, desde que a criança seja habituada a ter um horário específico para poder jogar no tablet, ela facilmente assimilará que fora desse horário, terá de dedicar-se a outras atividades que o entretenham e que sejam prazerosas para ele.

Para que a tecnologia não tome conta dos momentos de lazer do seu filho, por completo, deixo-lhe algumas sugestões que poderão ajudá-lo a que a relação entre a tecnologia e o seu filho, seja uma relação com conta, peso e medida, sem grandes entraves.

  • Faça ENTER a um horário para o tablet: se a criança está habituada a jogar no tablet, este não tem de ser abolido dos seus tempos de lazer. O que é importante existir é um horário muito definido e que esteja claro quer para os pais, quer para a criança, e que seja rigorosamente cumprido. Isto ajudará a criança a aprender que é algo que está estabelecido e ajudá-la-á a arranjar alternativas para se entreter fora deste horário.

  • Faça DELETE ao tablet em momentos em família: procure abolir a utilização dos tablets em momentos de partilha em família como as refeições, passeios ao ar livre, piqueniques e outras atividades. Desta forma, a criança irá usufruir e aproveitar estes momentos de uma forma muito mais saudável.

  • Faça IMPRIMIR a atividades lúdicas: repita atividades em família. Mostre ao seu filho o universo de atividades (tão ou mais prazerosas do que o tablet), que existem.

Da próxima vez que pensar em investir num jogo para a PSP, porque não pensar noutras alternativas? Que tal um puzzle, uma caixa de legos ou um jogo de memória? Poderá não só estimular a criatividade do seu filho, como partilhar com ele estes momentos. Não há jogo de computador que se compare a uma boa atividade lúdica, repleta de desafios.

  • CAPS LOCK para a partilha e o diálogo: grave as palavras “diálogo” e “partilha” com letras grandes, na sua cabeça. Explique à criança porque considera tão importante existirem momentos em família e porque valoriza que haja horários para o tempo passado em frente ao PC/tablet.

Converse com o seu filho e lembre-se que, quando define um tempo que o seu filho passa em frente ao computador, ganha tempo para conversar com ele sobre tudo. Não se esqueça que por mais desafiante que pareça lidar e gerir estas situações, se esta for uma rotina, uma regra clara e bem definida, não será contestada.

Da mesma forma que as crianças aprendem e aceitam que há uma hora definida para ir para a cama, também são capazes de lidar exatamente da mesma forma com o tempo passado no tablet. Tudo o que é preciso é consistência e substituir o tempo despendido nesta atividade, por outras atividades igualmente atrativas e estimulantes para a criança, sendo que se forem partilhadas por toda a família, tanto melhor!

Sandra Azevedo –  Psicóloga Clínica – Equipa Mindkiddo

Oficina de Psicologia