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O meu filho é gamer. E agora?

Os ecrãs e videojogos fazem parte da vida de muitas crianças e jovens – é importante que a sua utilização seja equilibrada. Partilhamos dicas para os pais, para que os seus filhos possam jogar de forma saudável.

Os videojogos fazem parte da vida de muitos jovens, acompanhando-os desde cedo até à idade adulta. Esta forma de entretenimento é, muitas vezes, mal percepcionada por pais e educadores, que não sabem como agir junto das crianças na hora de lhes desligar a consola.

É importante que a utilização de ecrãs e videojogos seja equilibrada: um estudo nacional realizado em 2022 revelou que 15% a 20% dos jovens entre os 12 e os 25 anos apresentam sinais de dependência de internet, nomeadamente de videojogos.

Partilhamos as dicas e estratégias que a Associação de Empresas Produtoras e Distribuidoras de Videojogos (AEPDV) e o Moche XL Games World, com a colaboração da psicóloga Maria João Andrade, propõem para pais e educadores terem em conta na gestão responsável dos videojogos.

1. Conversar sobre o mundo dos videojogos onde o jovem se insere experimentar jogar em conjunto

É importante conhecer e perceber o tipo de jogos, em que plataformas e com que pessoas os jovens jogam, antes de tirar conclusões sobre esta atividade. Muitas vezes, estes videojogos podem gerar uma ótima oportunidade de convívio entre pais e filhos, trabalhando a componente presencial desta relação e aproximando os dois.

Existem vários videojogos para famílias – jogados a 4 ou 6 pessoas – ou até a típica partida de FIFA, e eventos onde esta indústria está presente e pensados para a família, como o Moche XL Games World, o Iberanime e a Comic Con.

2. Negociar regras e rotinas

Definir regras com os jovens é uma estratégia muito importante, seja neste ou noutro contexto.

Quando se negoceia, em vez de existir uma imposição por parte dos pais/educadores, promove-se no jovem uma atitude de responsabilidade de como ele decidiu e se comprometeu a realizar determinada tarefa.

Definir horários e limites é essencial. Acordar um horário para jogar é uma forma simples e eficaz de evitar que as sessões se prolonguem em excesso. Definir a duração de cada sessão ajuda a manter a noção do tempo e impede que crianças e jovens passem horas seguidas em frente ao ecrã.

Fazer pausas frequentes é também muito importante: intercalar o tempo de jogo com pequenas pausas é essencial para descansar os olhos, alongar o corpo e repor energias. Estes momentos de pausa tornam a experiência mais agradável e reduzem o risco de fadiga física e mental.

3. Procurar perceber os riscos e benefícios sobre o mundo dos videojogos

Os videojogos estão também associados a inúmeros benefícios cognitivos, por exemplo a melhoria da capacidade de atenção, emocionais, como a melhoria do humor, e sociais, como o aumento da capacidade de cooperação, pelo que, antes de proibir, é importante ponderar quais os benefícios e riscos e tentar tirar o melhor proveito das ferramentas que dispõe.

4. Escolher jogos adequados à idade

É importante estar atento aos PEGI (sistema de classificação de jogos) no momento da compra dos videojogos. A maioria dos videojogos tem um sistema de classificação europeu sobre o conteúdo do jogo que define a idade mínima sugerida para a sua jogabilidade.

Os pais/ educadores estarem atentos a esta idade no ato da compra reduz, significativamente, expor os jovens a conteúdo não adequado para a idade, como por exemplo violência ou linguagem obscena.

Conhecer os conteúdos de cada jogo permite assegurar que estes são adequados à fase de desenvolvimento do jogador.

5. Ter atenção às interações online

Muitos videojogos são jogados online, o que permite interagir com desconhecidos. Como tal, é fundamental alertar os mais jovens para não partilharem dados pessoais com outros jogadores e para reportarem sempre que considerarem que um outro jogador teve um comportamento inadequado. 

6. Manter um equilíbrio saudável entre o online e o offline

Os tempos livres das crianças e jovens devem ser dedicados também a passear, fazer desporto, ler e estar com os amigos e a família.

É fundamental incentivar os miúdos a sair de casa e fazer outro tipo de atividades, além de jogar. Manter um equilíbrio entre o digital e o analógico é essecial para o bem-estar físico e mental a longo prazo – mesmo que a curto prazo tenham de gerir a frustação por se sentirem forçados a parar de jogar.

Para ler offline, fica uma dica extra: ofereçam o livro «Game Over – Prevenção de comportamentos problemáticos de jogo» às vossas abobrinhas.

Nesta história, as aventuras dos nossos amigos da Vila Mariposa continuam, desta vez em redor do Tomás, que começa a exibir um comportamento excessivo e mesmo alguns sinais e sintomas de dependência de jogo.

Após uma primeira fase de negação do problema, o Tomás reconhece que precisa de ajuda e aceita o desafio da psicóloga Filipa, especialista em dependência de jogos. Juntos, dinamizam um programa de prevenção com todas as turmas da vila! No final, de modo a sensibilizar alunos, professores, pais e toda a comunidade, foi criado o Dia Game Over!

7. Acompanhar de perto os seus filhos

É importante estar atento e obter feedback regular sobre o comportamento e vida social dos seus filhos.

Mantenham contacto próximo com a escola e o Diretor de Turma dos seus filhos: o contacto assíduo com a escola permite para perceber de antemão os resultados e a vida social da criança ou jovem é determinante para perceber se existe algum tipo de perturbação da sua atenção ou performance, prevenindo assim comportamentos de risco.

Mantenha-se alerta e próximo dos seus filhos para identificar alterações de comportamento e agir, pedindo ajuda se necessário, para prevenir a dependência dos video-jogos.

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