Família > Fazer com os miúdos > Livros

4 Livros que provam que as meninas podem ser quem elas quiserem

4 Livros provam as meninas podem ser quem elas quiserem

Falar de assuntos complexos com crianças pequenas é um desafio para muitas famílias, mas também uma tarefa importante, pois é nesta fase de desenvolvimento que as crianças constroem as suas referências do mundo. Nesse sentido, os livros são ferramentas poderosas para apresentar novas reflexões e ideias às crianças.

Pela primeira vez em muito tempo, vozes levantam-se, questionando o velho formato dos contos de fada: os críticos defendem que este fórmula cria ideais e ilusões distorcidas sobre o amor e as interações sociais. Ainda que muitos desses livros (e filmes!) discutam assuntos como a bondade, a humildade e a tolerância, fazem-no quase sempre com base em estereótipos perigosos.

Qual deve ser o registo a adoptar, então? 

“Era uma vez… uma linda princesa, que podia casar com qualquer príncipe, mas que optou por viver feliz ao lado dos seus animais de estimação”, por exemplo. A “literatura infantil feminista” é formada por uma vertente de livros que rejeita os tradicionais papéis de rapazes e raparigas nas histórias para crianças. O objetivo é claro: combater a cultura que reserva às meninas o papel de passivas e aos meninos o peso de matar o dragão, no final da história.

Neste filão literário, os géneros são equivalentes, e o casamento como um ideal das mulheres é uma das ideias mais combatidas. Mas não só: estes livros reforçam a ideia de que uma menina, futura mulher, pode ser o que quiser, quando quiser, que depende apenas de si e que em nada fica a dever aos homens. 

Promover o amor próprio, a auto-aceitação e a auto-estima são fatores importantíssimos no desenvolvimento saudável das nossas crianças. Por isso, a Pumpkin reuniu algumas sugestões de livros para oferecer à sua filha, à sua sobrinha, à filha de uma amiga ou… a si mesma. Às vezes precisamos de voltar a ser crianças para aprender algumas coisas. 

4 LIVROS QUE PROVAM QUE AS MENINAS PODEM SER QUEM ELAS QUISEREM

Pippi das Meias AltasConheces a Pippi das Meias Altas?, de Astrid Lindgren.

A “Pippi das Meias Altas” é a cara mais óbvia das obras que consideram que meninas e meninos são igualmente capazes, e foi um livro decisivo na história da representação da criança, oferecendo novas referências ao desenvolvimento das ideias de género. Nada comum para a época em que foi criada a personagem (1945), Pippi é uma menina de nove anos que não tem pai nem mãe que lhe digam o que deve fazer, e que por isso faz o que lhe “dá na cabeça”. Ousadia, ainda assim, é diferente de rebeldia: a menina, que vive na companhia de um cavalo e de um macaco, cozinha, costura as próprias roupas e enfrenta, sem medos, os mais velhos que a desafiam ou tentam fazer mal. Uma mulher de garra! 

 

MatildaMatilda, de Roald Dahl.

A criança é um ser autónomo, completo e capaz. Esta é a mensagem principal do livro escrito por Roald Dahl, adaptado ao cinema em 1996. Os pais de Matilda, personagens satíricas descritas pelo olhar de uma criança, só valorizam Michael, o irmão da menina, por este ser do sexo masculino. Criticam os gostos e opções de Matilda e humilham-na, insultam-na e proibem-na de ler – os livros são a sua maior paixão. Tendo que enfrentar, no dia-a-dia, a rejeição dos pais e a maldade da directora da escola, Matilda vira as costas aos planos que fazem para o seu futuro, e define ela própria o seu modo de estar no mundo. A prova de que até nos casos menos prováveis é possível ser-se feliz na pele que habitamos. 

AliceAlice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. 

Com Alice, aprendemos – nós, as meninas que fomos, as meninas que conhecemos, todos – que é possível transpor a realidade, ultrapassá-la e criar novas visões do mundo. Todas as meninas enfrentam uma rainha vermelha: uma colega, um professor, um namorado violento. A personagem criada por Lewis Carroll lembra-nos que não precisamos de ter medo nem de ser protegidas. Como a Alice, quando a Rainha ordenou que lhe cortassem a cabeça, a nossa inteligência basta-nos. E um Chapeleiro Maluco é a lembrança perfeita para contrariar a ideia chata de que o normal é perfeito. Podemos todos ser anormais. Podem todas ser elas próprias. 

MalalaA Admirável Aventura de Malala, de Maria Inês Almeida.

A protagonista deste livro é real. Malala acredita que todas as crianças, independentemente do sexo, da raça, da origem social ou do credo religioso, têm o direito indiscutível a aprender – e quase foi morta por isso. A jovem nasceu no vale do Swat, no Paquistão, onde a música e a literatura são proibidos, onde o nascimento de um filho homem é festejado e o de uma menina vivido na vergonha e em silêncio, onde as mulheres não podem andar na rua e onde a escola é apenas acessível a crianças do sexo masculino. Armada do seu discurso sobre a democratização do ensino, a mais jovem vencedora do Prémio Nobel da Paz (2014) assumiu uma luta incansável pelo direito à educação da qual o seu país a privava.