Cultura africana para crianças: viajem por África em família! - Pumpkin.pt

Cultura africana para crianças: viajem por África em família!

cultura africana para crianças

A propósito do Dia de África, mas também como exercício de abertura e curiosidade, espreitem estas nossas sugestões relacionadas com a cultura africana para explorar com as abobrinhas: jogos, músicas, livros, filmes e receitas.

A cultura africana (para adultos e crianças) é uma das mais diversificadas e ricas do mundo. É, na verdade, redutor chamar-lhe apenas “africana”, porque falamos de um continente com mais de 50 países, cada um com as suas vastas tradições, línguas e também hábitos distintos.

Existem, cada vez mais, recursos culturais sobre África, mas, para celebrar a sua cultura da forma mais justa, optámos por explorar sobretudo recursos nascidos em solo africano, pensados e criados por vozes negras.

Sabiam que “é preciso uma aldeia para criar uma criança”? Este provérbio africano sublinha que toda uma comunidade de pessoas deve interagir com as crianças para que elas vivenciem e cresçam num ambiente seguro e saudável – e, nele, a tolerância e a aceitação são essenciais.

Cultura africana: jogos para fazer com crianças

jogos africanos

O site Alma Preta reune uma série de brincadeiras e atividades africanas, que podem ser feitas por adultos e crianças de forma simples e sem precisar de muito espaço.

Pensados originalmente para as crianças negras, de forma a instigá-las a cimentar outros olhares em relação aos seus ancestrais, acreditamos que estes jogos são também muito relevantes para quem quer aprender mais sobre a história que se escreve noutras geografias.

Muito longe de incitarmos à apropriação cultural, escolhemos alguns jogos que celebram, remontam e sublinham a sua origem africana – e com os quais crianças e adultos podem aprender.

Jogo da memória africana

África é composta por mais de 50 países. Escrevam os nomes deles e suas capitais em pedacinhos de cartolina. Ganha o jogo quem juntar mais países e capitais.

Jogo da Jibóia (originário do Gana)

Desenhem um quadrado no chão. Um dos membros da família entra no quadrado e o outros andam à volta do quadrado. Quem está dentro tenta tocar nos outros, de forma furtiva, como se fosse uma cobrinha.

Quem for tocado entra também e ajuda a capturar os outros. O último a ser apanhado é o vencedor.

Mbube: Chamar o leão

Dois participantes ficam vendados, e um representa o leão e outro a presa. Ambos ficam dentro de uma área limitada e devem mover-se devagar.

Quando o leão estiver perto da presa todos devem dizer “Mbube, mbube” mais alto. Se o leão estiver distante, os demais participantes falam baixinho “Mbube, mbube”.

Assim, é o o som das pessoas que vai guiando tanto o leão na sua caça quanto a presa na sua fuga. Uma versão muito divertida do nosso “quente e frio” que vai render muitas gargalhadas!

Terra e mar

Façam uma linha no chão ou usem uma corda para criar uma fronteira: de um lado é a terra e do outro o mar.

Quando o líder gritar terra, todos têm que saltar para o lado da terra. Quando gritar mar, o mesmo: mergulhem para o mar. Vai perdendo quem se confundir e saltar para o lado errado da margem. Terra, terra, mar, terra, mar, mar!

Pilha de sapatos

Sentem-se numa rodinha e, um de cada vez, equilibrem um sapato ou chinelo na vossa torre. Quem derrubar a “pilha de sapatos” sai do jogo.

Cultura africana: música para crianças

Kizomba e kuduro são apenas as facetas mais conhecidas da diversidade musical incrível que nasce dos povos africanos. Tudo em África é cantado e regado com música, até os funerais (assistimos a alguns na Guiné Bissau), momento de tristeza mas também de celebração pela vida que passou.

Também as abobrinhas nascem e crescem a cantar: encontrámos algumas canções populares africanas para conhecerem! A cultura africana para crianças é rica e diversificada, e elas aprendem rapidamente as letras, mesmo não as entendendo na totalidade.

Cultura africana: livros para ler com crianças

A melhor forma de conhecermos o outro é lendo aquilo que escrevem, experimentando as vidas que vivem. Estes livros infantis, escritos por autores africanos, mostram-nos hábitos, cenários, trajetos e nomes importantes da História Negra.

Ynari – A Menina das Cinco Tranças, Ondjaki

ynari a menina das cinco tranças

Esta é a história de uma menina de cinco tranças que vive com a sua família numa aldeia da savana Africana. É sobretudo, uma história sobre a magia das palavras, da amizade, o respeito pelos outros e a vitória da paz . 

Ynari é uma menina com cinco tranças e muita vontade de conhecer outras aldeias. Perto do rio, Ynari encontra um homem pequenino e descobre que a guerra também faz parte do mundo. Com a ajuda das suas cinco tranças, a menina vai mostrar que as crianças, com magia e ternura, podem mudar todas as aldeias e acabar com todas as guerras.

O Leão e o Coelho Saltitão, Ondjaki

o leão e o coelho saltitar

O Leão, rei da Floresta Grande, procurou o seu amigo, o Coelho Saltitão, para juntos resolverem o problema da fome. A solução do Coelho é, no mínimo, original… Contudo, os dois amigos aborrecem-se quando o Leão tenta enganar o Coelho. Será que consegue? Ou vai, também ele, ser enganado? 

Um tema universal – a astúcia vencendo a prepotência -, recontado por Ondjaki em “O Leão e o Coelho Saltitão“, com base num relato tradicional do povo Luvale (da região leste de Angola).

Ombela – A Origem das Chuvas, Ondjaki

ombela

Neste livro, Ondjaki aborda o mito da origem das chuvas. Esta é a estória da deusa Ombela («chuva» em umbundo), a que aprendeu a fazer chover usando as suas lágrimas.

A Estória do Sol e do Rinoceronte, Ondjaki

A Estória do Sol e do Rinoceronte

Ondjaki escreveu e Catalina Vasquez ilustrou esta maravilhosa fábula de encantar, “A Estória do Sol e do Rinoceronte“, sobre a importância da gentileza e da empatia.

Na floresta antiga, um rinoceronte perguntava-se que tristeza era aquela que sentia no coração. E pediu ajuda.

«O rinoceronte atento
Escutou o que o Sol dizia
E, quanto mais escutava,
Mais fundo aquilo ia.»

A Bicicleta que tinha Bigodes, Ondjaki

a bicicleta que tinha bigodes

«Sonhei com a bicicleta bem colorida, os da minha rua brincavam com ela, o Camarada Mudo ria muito, a Avó Dezanove dizia para termos cuidado para não sermos atropelados por nenhum carro e para não atropelarmos mais nenhum bicho, a bicicleta do meu sonho era bem grande e zunia muito, amarela nas rodas, o quadro e o volante eram vermelhos e os para-lamas assim pretos, só que à frente, um pouco abaixo da zona do volante, ninguém ainda tinha visto: a bicicleta tinha uns bigodes iguais aos do tio Rui…»

Da mestria incomparável do jovem autor Ondjaki, “A Bicicleta que tinha Bigodes” é uma história sem luz elétrica que ganhou o Prémio Bissaya Barreto de Literatura para a Infância em 2012.

O Voo do Golfinho, Ondjaki

o voo do golfinho

E se todos tivéssemos o dom de mudar de corpo ao longo da vida? E se voar fosse mesmo possível para todos os que sempre desejaram ter asas?

O Voo do Golfinho” é a estória de um golfinho que queria ser passarinho…

Convidador de Pirilampos, Ondjaki

o convidado de pirilampos

“- Não achas que podem ficar tristes, esses pirilampos dentro de uma gaiola que fica dentro do teu quintal?
– Se estivessem tristes, acho que não brilhavam assim.
– E se estiverem a brilhar de tristeza? – perguntou o Avô.
– Não tinha pensado nisso.”

Em “Convidador de Pirilampos“, perto da Floresta Grande vive um menino e o seu Avô. O menino gosta de cientistar coisas: Já inventou um aumentador de caminhos e um convidador de pirilampos. Fala em código Morse com eles.

O Gato e o Escuro, Mia Couto

o gato e o escuro

A inventividade a que Mia Couto nos acostumou e o seu domínio da língua, numa história para crianças, ou também para adultos partilharem com as crianças. As ilustrações de Danuta Wojciechowska complementam este universo maravilhoso de “O Gato e o Escuro“, precisamente para iluminar aqueles que têm medo.

O Beijo da Palavrinha, Mia Couto

o beijo da palavrinha

Quando Maria Poeirinha adoeceu, o Tio Jaime Litorânio disse que só o mar, que ela nunca vira, a poderia curar. A menina estava demasiado fraca para a viagem, mas o irmão Zeca Zonzo encontrou o modo de a levar a conhecer o mar.

O poder mágico das palavras é o tema deste segundo livro para crianças de Mia Couto, “O Beijo da Palavrinha“, mais uma vez com magníficas ilustrações de Danuta Wojciechowska.

A Montanha da Água Lilás – Fábula para todas as idades, Pepetela

Numa montanha de África, habitam os lupis, uns estranhos seres cor de laranja que pensam, falam e trabalham, mas não são homens. Um dia, sem que nada o fizesse prever, o lupi-poeta descobre uma fonte de onde brota um líquido de cor lilás com um aroma muito doce, que se revela ter propriedades quase mágicas.

Esta água perfumada cura diversas maleitas e influencia até o humor de quem entra em contacto com ela, e todos a querem. Começam então as disputas, desenvolve-se uma economia de mercado e, com ela, uma estratificação social e uma desigual distribuição da riqueza. Mas, a exploração da água lilás não vai apenas transformar a vida de todos os habitantes da montanha, vai também degradar o seu meio ambiente.

Numa montanha de África, habitam os lupis, uns estranhos seres cor de laranja que pensam, falam e trabalham, mas não são homens. Um dia, sem que nada o fizesse prever, o lupi-poeta descobre uma fonte de onde brota um líquido de cor lilás com um aroma muito doce, que se revela ter propriedades quase mágicas.

Esta água perfumada cura diversas maleitas e influencia até o humor de quem entra em contacto com ela, e todos a querem. Começam então as disputas, desenvolve-se uma economia de mercado e, com ela, uma estratificação social e uma desigual distribuição da riqueza. Mas, a exploração da água lilás não vai apenas transformar a vida de todos os habitantes da montanha, vai também degradar o seu meio ambiente.

A Montanha da Água Lilás” é uma deliciosa alegoria política e social, uma crítica mordaz ao consumismo e à exploração não sustentável dos recursos naturais. Uma fábula para todas as idades que retrata como o que é, inicialmente, benéfico se pode tornar nocivo quando não se tem em vista o bem comum.

A Girafa que Comia Estrelas, José Eduardo Agualusa

A Girafa que Comia Estrelas” é uma história infantil sobre a amizade de uma girafa, que andava sempre com a cabeça nas nuvens, e uma galinha do mato, com a cabeça cheia de frases feitas.

Estranhões & Bizarrocos, José Eduardo Agualusa

Um inventor de coias impossíveis: formigas mecânicas, passáros a vapor, sapatos voadores, aparelhos de produzir espirros, estranhões e bizarrocos e outros seres sem exemplo. Camelos sábios, uma menina de peluche, a rainha das borboletas.

Um país onde tudo acontece ao contrário, os rios correm do mar para a nascente, e os gatos são do tamanho dos bois. O nascimento do primeiro pirilampo do mundo… “Estranhões & Bizarrocos” são histórias para adormecer anjos.

Todos Devemos ser Feministas, Chimamanda Ngozi Adichie

todos devemos ser feministas crianças

«Hoje eu peço que sonhemos e comecemos a planear um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens e mulheres mais felizes, mais autênticos. Para que isso aconteça precisamos de criar as nossas filhas de maneira diferente. Também precisamos de criar os nossos filhos de maneira diferente.» 

Além de ser uma escritora notável e um modelo para as novas gerações, Chimamanda Ngozi Adichie é uma voz do feminismo e uma defensora da igualdade e dos direitos humanos. A sua palestra Todos Devemos Ser Feministas deu origem a um livro e, agora, a esta edição ilustrada e adaptada ao público mais jovem.

As Mais Belas Fábulas Africanas, Nélson Mandela

“Espero que a voz do contador de histórias nunca deixe de se ouvir em África”. Estas palavras são de Nelson Mandela, que recolhe nesta magnífica antologia – “As mais Belas Fábulas Africanas” as suas histórias infantis preferidas.

O livro é um convite irrecusável a mergulhar com Nelson Mandela no universo mágico das histórias.

Filmes africanos para crianças

Não é por acaso que não costumamos consumir histórias sobre os diferentes povos africanos, e muito menos produzidas por eles – faz parte da deturpação histórica da narrativa, denunciada por Chimamanda Ngozi Adachi: a do perigo da história única.

A verdade é que quando consumimos repetidamente a mesma visão sobre o mesmo povo criamos uma imagem que pode não corresponder à realidade, e as poucas histórias que nos chegam sobre África são geralmente cheias de estereótipos negativos, e, até, falsos.

No entanto, o continente africano é cheio de diversidade e começa finalmente a oferecer-nos filmes com a sua visão de si mesmo, ainda que a nível de animação ainda em menor quantidade.

A Lenda do Reino do Céu

Produzido no Zimbabwe, “A Lenda do Reino do Céu” foi a primeira longa-metragem de animação a nascer em África.

Nele, três crianças órfãs, escravas, trabalham nas minas de ouro de Underground City, governada por um Imperador sem escrúpulos, e desejam conseguir a liberdade.

Depois de várias tentativas de fuga, partem em busca do Reino do Céu, enfrentando vários desafios e pedindo ajuda a forças superiores para alcançar o seu destino.

O filme é descrito como um conto de fadas que reforça que “acreditar é ver” e, na verdade, toda a sua história “fora do ecrã” reforça-o: a equipa de produção criou as personagens e os cenários a partir de itens recolhidos numa lixeira próxima do seu escritório, além de ter demorado dois anos a construir uma câmera de filmar a partir das peças de uma bicicleta, já que não tinha orçamento para comprar uma profissional.

Kiriku e a Feiticeira

kiriku e a feiticeira

Ao saber que a vila onde mora em África está ameaçada por um ser maligno, uma criança pequena e o seu tio guerreiro decidem lutar contra as forças do mal.

Na batalha para salvar a vila eles encontram novos amigos e enfrentam muitos inimigos. Realizado por um francês que cresceu na Guiné Bissau, “Kiriku e a Feiticeira” é ambientado no país e conta a história de uma lenda local.

Zambezia

zambezia filme

Zambezia, um filme de animação sul-africano realizado por Wayne Thornley, conta a história de Kai – um jovem falcão ingénuo mas muito bem-humorado que viaja para a movimentada cidade dos pássaros, Zambezia.

Lá, muito perto das majestosas Cataratas Vitória, Kai descobre a verdade sobre as suas origens e, ao defender a cidade, aprende a fazer parte de uma comunidade.

Khumba

khumba filme

Khumba também é um filme sul-africano, desta vez realizado por Anthony Silverston. Vamos conhecer Khumba, uma pequena zebra que nasce com a metade do corpo sem listras.

O animal sofre o preconceito de todos ao redor, até porque, segundo uma lenda local, o seu nascimento é responsável pela falta de chuva na região.

Para tentar remediar este grande problema, Khumba decide partir numa viagem solitária pela savana africana, para encontrar um lago mágico capaz de devolver-lhe as listras que lhe faltam. No caminho, encontra outros animais com traumas pessoais e isolados do seu bando, como uma fémea gnu, um avestruz e um tigre cego de um olho.

Cultura Africana: receitas para experimentar com as crianças

receitas africanas cachupa

Sabiam que o prato favorito de Nelson Mandela era Bobotie, uma espécie de cozido sul-africano com carne picada, pão, leite, cebola, castanhas, passas e damasco, temperado com caril e outras especiarias? Parece delicioso!

E se alguns já ouvimos falar da maravilhosa cachupa, das diferentes formas de preparar moamba (dizem que a feita com galinha e quiabo é a melhor) e do incontornável funge, há muitas família que ainda desconhecem os encantos da gastronomia africana – tão rica e variada que fica difícil escolher que receitas recomendar-vos.

O Caldo Mancarra, com creme de amendoim, é um dos nossos favoritos – e até já experimentámos substituir a carne por tofu, criando uma variação vegetariana deste prato tão típico na Guiné. Encontrámos a receita online e repetimos de vez em quando aqui por casa!

Já o Arroz Ollof é o prato mais típico nos países da África Ocidental: é feito principalmente de arroz, ao qual é adicionado tomate e pasta de tomate, cebola, sal, especiarias como noz-moscada, gengibre, pimenta Scotch bonnet e cominho), e pimento vermelho. Alguns ingredientes opcionais podem ser adicionados, como vegetais variados, carne e peixe – depende muito de país para país.

Talvez as crianças torçam o nariz a refeições mais condimentadas, por isso uma boa opção pode ser o Mandazi, conhecido como “o donut africano” – tem um travo a coco que promete fazer as delícias da família!

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2 comentários em “Cultura africana para crianças: viajem por África em família!

  1. Tânia Maio 26, 2021

    Obrigada por dedicarem este artigo ao dia de África.
    Foi muito útil.

    1. Dani Gonçalves - Equipa Pumpkin Maio 27, 2021

      Agradecemos as palavras, Tânia!
      Ficamos contentes 🙂

      Saudações abobrinhas

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