Escolas > Notícias para escolas > Passatempos e iniciativas

Aprender a Brincar: torne as aulas muito mais divertidas!

Aprender Brincar: torne as aulas muito mais divertidas

Brincar. Quantas memórias tem dos seus tempos de escola onde ia relaxar e descansar nos minutos que tinha entre aulas? Quantos amigos fez nesse tempo? Quantos jogos jogou? Quantos mundos explorou?

Michael Follet, um consultor e especialista nas brincadeiras realizadas no tempo de escola, trabalhou em algumas escolas à volta do mundo e desenvolveu um pequeno brief para ajudar escolas a reconhecer a importância da brincadeira e como a integrar no durante o dia de aulas.

1. Use o que tem.

Muitas escolas têm muito espaço que não usam, e não usam o espaço que têm a maioria do ano. Este é um enorme desperdício de recursos valiosos e causa problemas desnecessários – a superlotação provoca níveis mais elevados de colisão, stress, ruído e agressão. O uso do espaço ao ar livre nas escolas tem evoluído ao longo do tempo de forma não planeada e casual, e muitas escolas não planeiam como lidar com o clima previsível do país em que vivem. Em média, as escolas primárias no Reino Unido, apenas usam o espaço ao ar livre durante 13 % do ano escolar, já que o mesmo é normalmente considerado muito escorregadio, molhado ou lamacento. Olhe em redor da sua escola e questione tudo sobre a forma como o espaço é utilizado. Aqui estão algumas perguntas que se deve colocar:

• Porque é que a cerca está ali?

• O que precisa de mudar para que possa usar o espaço mais eficazmente?

• Será que um evento, que acontece uma vez por ano, dita a forma como o espaço é usado os outros 164 dias do ano escolar?

• Será que as necessidades das crianças vêm em primeiro lugar na utilização do espaço?

• Qual é a percentagem do ano em que usamos realmente o espaço ao ar livre?

• Porque o fazemos dessa forma?

• O que precisaria de acontecer para que as crianças pudessem brincar mais nesse espaço?

Lembre-se que o vestuário deve estar à altura das necessidades das crianças e não o contrário – assim, faça o que estiver ao seu alcance para fornecer vestuário e calçado adequados para que as crianças possam brincar livremente ao ar livre todo o ano.

2. Coloque alguém como responsável.

Se “Ninguém” fosse uma pessoa, estaria muito ocupado, porque se colocar “ninguém” como responsável, consegue garantir que “ninguém” faz o trabalho. O melhor tempo de brincadeira nas escolas não acontece por magia. É preciso pensamento, planeamento e persistência. A mudança requer energia, tanto para começar, como para manter. Se as melhorias são para durarem mais do que a excitação inicial de um novo projeto, então alguém com poder na escola, deve ser responsável. A brincadeira é um dos aspetos mais importantes da infância, é um direito humano e é vital para o bem-estar físico, mental e social da criança. Se as escolas, que devem ser centros de desenvolvimento infantil e, nas quais cerca de um quinto do dia é apelidado de “recreio”, porquê levar a sério a brincadeira? E quem o levará a sério? Ninguém.

3. Seja generoso. 

A escassez de recursos pode ser uma fonte de conflito. Se algo está a causar problemas no espaço de recreio, uma solução mais positiva e feliz para todos será fornecer mais, e não fazer com que essa oportunidade de brincadeira seja desperdiçada. Imensas crianças requerem uma grande quantidade de recursos e um imenso espaço de armazenamento! Uma casa de brincar para 40 crianças? Talvez precise de cinco? Vai comprar um saco de areia para a caixa de areia – que tal 20 ou 40 toneladas em vez disso? Talvez vá colocar alguns pneus para brincar, vai fornecer 25 para 250 crianças ou dois para cada uma? As crianças são naturalmente criativas, mas precisam de muitos recursos básicos para a sua criatividade florescer, e serão mais felizes se não tiverem de competir pela utilização de uma quantidade muito limitada. Então, seja o que for que está a oferecer a uma escola, pense em grande, escolha múltiplos e seja sempre generoso.

4. Use os recursos grátis.

Há uma teoria (Nicholson, 1972) bem conhecida de quem trabalha na área que diz que “para cada coisa móvel que dá a uma criança para brincar, há um aumento exponencial da quantidade de possibilidades de jogo que a criança vai inventar”. Então, duas coisas são iguais à raiz quadrada da brincadeira, três coisas à raiz cúbica, etc. É muito mais importante que as crianças tenham itens com que brincar do que estruturas onde jogar, porque o potencial de mudança, controle, manipulação e combinação é muito maior. O que é maravilhoso é que, na realidade, não importa o que são as coisas. Enquanto poderem ser movidas pelas crianças, sem perigo óbvio, possuem valor de brincadeira. Os adultos muitas vezes pensam que as crianças precisam de coisas chamadas brinquedos, para poderem brincar, mas as crianças são brincalhonas por natureza e se um brinquedo é algo que uma criança brinca, muitos objetos aleatórios podem ser brinquedos. Caixas, tubos, roupas velhas, teclados de computador, tubos, paletes, panos, malas, chapéus, pranchas, pneus, volantes, malas de viagem; a lista daquilo com que podem brincar é quase tão infinita quanto a formas como as crianças podem brincar com os mesmos objetos. Não fique a pensar naquilo que não pode comprar – pense naquilo que pode obter gratuitamente?

5. Use a natureza.

Os materiais naturais são relativamente baratos, podem ser deixados ao ar livre prontos para serem utilizados a qualquer momento durante a brincadeira, e podem ser fornecidos à tonelada. Uma boa variedade de diferentes revestimentos adiciona muito valor ao espaço de brincadeira porque o solo também se torna num recurso de brincadeira. Os recursos a granel baratos incluem areia, pedras, terra, pedrinhas, lama, pedaços de madeira, casca e lenha. Outros recursos que podem ser gerados no local e com os quais podem brincar antes dos mesmos serem retirados são por exemplo relva cortada, troncos e ramos. Muitas escolas gerem de forma excessivas o seu espaço ao ar livre, como se todo o local fosse um grande campo de futebol. Pense sobre os benefícios de dar outra utilização a algum do espaço. O mesmo irá aumentar a biodiversidade, oportunidades de aprendizagem e irá valorizar a brincadeira.

6. Mantenha o ritmo. 

O português e a matemática não são áreas que as escolas abordam apenas por um curto período de tempo e que depois desistem por serem difíceis de ensinar, são vistas como disciplinas essenciais para a finalidade da escola. Acesso contínuo a brincadeira de qualidade deve ser uma preocupação de todas as escolas também, porque os adultos controlam todos os aspetos da vida das crianças, e as crianças não têm o poder ou capacidade de aceder livremente a espaços de brincadeira ao ar livre em outras áreas de suas vidas. Melhorar a brincadeira nas escolas requer compreensão, empenho e persistência por parte de diretores, funcionários e pais. A brincadeira deve ser importante para todos, porque permite às crianças aprenderem “o que não vem nos currículos escolares” – em outras palavras – aprenderem todas as coisas realmente importantes que não podem ser ensinadas. Então certifique-se que o fornecimento de melhor tempo de brincadeira para cada criança não é apenas um projeto a curto prazo, mas é uma das descrições das funções dos colaboradores e que faz parte do plano de melhoria da escola todos os anos.

Este artigo foi divulgado pela Skip no âmbito do projeto Dia de Aulas ao Ar Livre, que vai decorrer a 6 de Outubro de 2016.