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Dia Mundial da Prematuridade – saiba mais sobre os bebés pré-termo

Dia Mundial Prematuridade - saiba mais sobre bebés pré-termo

No dia 17 de Novembro, celebra-se o Dia Mundial da Prematuridade em mais de 100 países alcançando cerca de 1,6 biliões de pessoas. O dia homenageia os prematuros e as suas famílias e tem como objetivo melhorar a situação dos bebés que nascem prematuros em todo o Mundo. Partilhamos informações divulgadas pela Associação Portuguesa de apoio ao bebé Prematuro.

Todos os anos, mais de 1 em cada 10 bebés nasce cedo demais (abaixo das 37 semanas de idade gestacional), o que equivale, anualmente, a cerca de 15 milhões de bebés em todo o mundo e 500’000 bebés na Europa. As complicações relacionadas com o nascimento prematuro são a principal causa de morte entre as crianças menores de cinco anos de idade, sendo responsáveis por quase um milhão de mortes em 2013.

Em Portugal, oito em cada 100 bebés nascem com menos de 37 semanas de gestação e um por cento dos recém-nascidos tem menos de 1.500 gramas. Os prematuros representam um terço da mortalidade infantil no nosso país. As crianças que nascem antes do tempo têm problemas específicos que exigem apoios especializados.

Sabe o que é um bebé prematuro?

A duração normal de uma gravidez é de 37 a 42 semanas. Quando os bebés nascem antes das 37 semanas de idade gestacional, então estamos perante um bebé prematuro ou pré-termo.

É possível que um bebé nasça às 40 semanas com um peso igual ao de um bebé prematuro de 32 semanas, neste caso, trata-se de um bebé pequeno para a sua idade gestacional.

Sabe porque  é que os bebés prematuros necessitam de cuidados especiais?

O bebé prematuro nasce com uma imaturidade dos seus órgãos e sistemas (respiração, controlo da temperatura, digestão, metabolismo, etc.), o que o torna mais vulnerável a determinadas enfermidades e, também, mais sensível a determinados factores externos (como sejam a luz e o ruído).

O bebé poderá ter que permanecer na enfermaria da maternidade ou ser admitido na Unidade de Cuidados Intermédios ou na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais (UCIN). Presentemente, os recursos tecnológicos destas unidades em geral permitem dar assistência e possibilitar a sobrevivência dos bebés prematuros.

Os cuidados proporcionados por estas unidades neonatais são estruturados para ajudar os bebés a levarem a cabo 3 funções essenciais que, muitas vezes, estes bebés têm dificuldade em controlar: a temperatura corporal, a respiração e a alimentação. A colocação dos bebés numa incubadora, ou num berço aquecido, ajudará a manter a sua temperatura corporal, um ventilador ou um respirador ajudá-los-á a respirar e receberão a alimentação necessária através de um tubo que é colocado no narizinho, no estômago ou numa veia.

Qual a possibilidade de sobrevivência de um prematuro?

As possibilidades de sobrevivência de um bebé prematuro estão condicionadas pela sua idade gestacional, o seu peso ao nascer e pela presença de problemas de saúde significativos quando do seu nascimento (respiratórios, cardíacos, infecciosos, malformativos, etc.). De todos, o mais importante é, sem dúvida, a idade gestacional, uma vez que esta determina a maturidade dos órgãos do vosso bebé.

O limite da idade gestacional tem vindo a aumentar cada vez mais, de tal forma que, actualmente, pode considerar-se viável um recém-nascido a partir das 23/24 semanas.

O nascimento prematuro é a principal causa de morbidade e mortalidade neonatal, no entanto, e graças aos avanços tecnológicos e científicos, a taxa de sobrevivência tem vindo a aumentar, sendo que os bebés que nascem antes das 28 semanas, considerada prematuridade extrema, têm uma hipótese de sobrevivência de 70% e os que nascem antes das 30 semanas de 80%.

Como prevenir um parto pré-termo?

Conceptualmente, a prevenção do parto pretermo pode ser dividida em 2 áreas:

  • Reduzindo os fatores de risco presente e melhorando a qualidade de vida, incluindo repouso e nutrição, redução do stress físico e emocional. Note-se no entanto, que esta estratégia, utilizada há alguns anos em países desenvolvidos, não se mostrou eficaz para a diminuição de incidência do parto pretermo. Apesar da redução da actividade física ser apropriada para algumas grávidas com risco de parto prematuro, não há evidência de que o repouso completo resulte numa redução da incidência de prematuridade.
  • Na detecção precoce do início do parto: contracções e alterações do colo do útero. Para isso, elaboraram-se programas educacionais dirigidos à grávida, vigilância médica dirigida às modificações do colo, ou vigilância das contracções no domicílio por meios tecnológicos. Nenhuma destas medidas teve o sucesso esperado, pois os sintomas iniciais podem ser muitas vezes ténues e as contracções podem não ser percebidas até uma fase relativamente avançada do processo. Uma das decisões difíceis de um obstetra consiste em determinar se uma grávida com sinais iniciais de parto prematuro está realmente em trabalho de parto. Estudos confirmam que cerca de 50% das grávidas com uma situação de ameaça de parto prematuro irão ter o parto a termo. Por esta razão, é tradicionalmente feita uma observação durante várias horas (internamento de curta duração) e avaliada a necessidade de terapêutica ou possibilidade da grávida poder regressar a casa. 

 No caso de se antecipar um nascimento pré termo, as terapêuticas actuais têm como objectivos:

  • Corrigir precocemente as anomalias detectadas (por exemplo, tratamento das infecções, malformações uterinas)
  • Inibir ou reduzir a intensidade e frequência das contracções a fim de atrasar o parto
  • Optimizar o estado geral do feto antes do nascimento

No futuro, um melhor conhecimento acerca dos mecanismos envolvidos no parto prematuro conduzirão a novas condutas e terapêuticas. Até que novas estratégias sejam encontradas, os esforços são concentrados na prevenção das complicações neonatais usando corticóides para acelerar a maturidade pulmonar fetal, antibióticos para prevenir determinadas infecções e na conduta criteriosa para um parto não traumático. É também fundamental que o parto prematuro se realize num centro hospitalar preparado com tecnologia adequada e equipas experientes neste tipo de situação. Fonte: “Nascer prematuro – Um manual para os pais dos bebés prematuros”, Secção de Neonatologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria (2007) 

 Fonte: XXS Associação Portuguesa de apoio ao bebé Prematuro