Bebés > Mãe no pós parto > Recuperação pós parto

O pavimento pélvico e a sua importância na saúde da mulher

O pavimento pélvico sua importância saúde mulher

O pavimento pélvico é algo bastante relevante na saúde feminina. Mas porquê? Qual a sua importância? O nosso parceiro Fisioterapia Mães&Filhos explica-nos tudo.

Capitulo I – O pavimento pélvico ou períneo

Sendo o universo feminino uma preocupação para a Fisioterapia Mães&Filhos iremos nas próximas semanas abordar alguns dos assuntos que inquietam e limitam a vida de algumas mulheres. Vamos dar protagonismo ao pavimento pélvico e aos problemas a ele associados.

O que é o pavimento pélvico?

O pavimento pélvico ou períneo é um grupo de músculos dentro da bacia que formam o seu “chão”, daí o nome pavimento.

Estes músculos:

 – Envolvem a uretra (“pipi”), a vagina e o ânus e juntamente com os músculos do esfíncter mantêm o controlo destas aberturas impedindo a perda de urina ou fezes;

– Suportam a uretra, a bexiga, o útero e o recto. É como se fosse a tampa que segura todos os órgãos;

 – Controla todos os aumentos de pressão abdominal que ocorrem durante o esforço, seja este exercício físico, um espirro ou tosse, ect. 

Como encontrar e contrair o períneo?

Realize este teste APENAS UMA VEZ: Enquanto faz xixi tente parar o curso da urina apertando o ânus e o “pipi”, caso a urina pare de correr acabou de contrair eficazmente o seu períneo.  Se a contração for ineficaz não volte a tentar  e venha falar connosco pare que a possamos aconselhar!

 

As disfunções do pavimento pélvico podem levar a diversos problemas como:

  • Incontinência Urinária;

  • Incontinência Anal/Fecal;

  • Prolapso uro-genital (POP);

  • Alterações da função sexua;l

  • Dor Pélvica;

 

Factores de Risco:

  • Alterações do sistema nervoso central;

  • Inerente fraqueza do tecido conectivo (ligamentos);

  • Gravidez;

  • Parto vaginal (forceps, ventosa, episiotomia, idade materna avançada no 1º parto);

  • Paridade (nº de partos);

  • Obesidade;

  • Actividade física intensa;

  • Alterações provocadas pela idade (menopausa);

  • Obstipação;

  • Tosse crónica.

Convém aqui ressalvar que os problemas associados às disfunções do pavimento pélvico afectam mais as mulheres é uma verdade, mas os homens não estão imunes.

No entanto a Fisioterapia Mães&Filhos vai apenas focar-se no universo feminino e explicar como a fisioterapia pode ajudar a evitar o aparecimento de disfunções ou como ajudar no tratamento para quem enfrenta o problema.

Capitulo II – Factores de risco

 Quem tem risco acrescido de sofrer de fraqueza do pavimento pélvico?

 1. Indivíduos com alterações do sistema nervoso central

 2. Mulheres:

Muito embora a incontinência urinária seja transversal a ambos os sexos e a todas as idades, o grupo de mulheres em fase activa – entre os 45 e os 65 anos – é aquele onde o problema assume um carácter mais marcante. Em termos comparativos, nestas faixas etárias, por cada três mulheres existe um homem afectado pela doença;

Grávidas ou mães recentes;

– Cerca de 65% deste grupo têm queixas de perda de urina;

– A causa da incontinência durante a gravidez é totalmente clara:

              O efeito das hormonas no músculo liso (relaxina);

              O peso do bebé alonga e força a musculatura.

– Maior tendência para danificar ou comprimir o nervo pélvico;

– O parto vaginal pode causar danos no períneo e nas estruturas de suporte (++ nos partos com fórceps/ventosas, em que são realizadas episiotomias e nascimento de bebés com peso superior a 4Kg).

 

Não é por estar grávida que é normal ter incontinência, no entanto se há sinais ou sintomas não pense que irão passar depois do parto, tome logo as devidas precauções e combata a incontinência urinária!

 

Mulheres na menopausa ou mulheres idosas, particularmente se sedentárias;

– Muitas mulheres desconhecem os factores que enfraquecem o seu períneo até atingirem a menopausa, ou seja, é nesta altura em que os níveis de estrogenio baixam drasticamente e a ligeira fraqueza muscular que as acompanhou toda a vida aumenta na mesma proporção da diminuição do estrogenio. É nesta altura que se apercebem dos factores que levaram à situação: sedentarismo, negligência de pequenos sinais, profissões de risco acrescido (onde realizaram grandes esforços), entre outros.

– Há medida que envelhecemos, os nossos músculos diminuem o seu tamanho e força. Isto pode resultar em fraqueza dos músculos do pavimento pélvico se estes forem ignorados.

Nota: O estrogénio contribui para um aumento do fluxo sanguíneo o qual melhora a contracção muscular promovendo a continência.

Mulheres jovens em fase activa de vida;

– Estilos de vida que obrigam à realização de esforços físicos frequentes (por exemplo atletas);

– Estilos de vida sedentários. 

Mulheres que foram submetidas a cirurgia ginecológica;

– A remoção dos ovários resulta na redução da produção de estrogénio, resultando em sintomas semelhantes aos da menopausa;

– Na ausência de tratamentos hormonais, a perda do controlo da bexiga instalar-se-á directamente após histerectomia ou ovariectomia;

– Poderá eventualmente ter havido interacção com algum nervo.

Mulheres com excesso de peso;

– Os casos de mulheres que perdem urina aumentam com o aumento do seu peso. Cada Kg a mais representa uma carga extra às estruturas do pavimento pélvico (músculos, tecidos, ligamentos..). Por vezes, uma ligeira perda de peso resulta numa menor perda de urina. 

3. Indivíduos com tosse crónica ou obstipação crónica

– Pressões exercidas permanentemente no pavimento pélvico como por exemplo, o tossir ou fazer força excessiva sempre que faz cocó, podem alongar e danificar os músculos.

4. Indivíduos com maus hábitos posturais

– Devido a alterações posturais mantidas por um longo período de tempo poderá surgir alongamento dos músculos do pavimento pélvico e estruturas envolventes, tais como o nervo pélvico.

Não é por estar inserido num destes grupos que vai sofrer “garantidamente” de fraqueza do perineo, mas se se identificar com algumas destas situações e não der atenção as estas estruturas  poderá ter maior tendência a desenvolver fraqueza do perineo.

Caso não saiba onde fica o seu perineo ou não tem a certeza se o consegue contrair ou se a sua contração tem força sufeciente marque uma avaliação connosco. Quanto mais cedo começar a cuidar desta zona menos risco terá de desenvolver algum problema relacionado com incontinência ou disfunção sexual!

Capitulo III – A Incontinência Urinária

Voltamos a relembrar que…

Quando temos um pavimento pélvico alterado podemos desenvolver diversos problemas como:

  • Incontinência Urinária;
  • Incontinência Anal/Fecal;
  • Prolapso uro-genital (POP);
  • Alterações da função sexua;
  • Dor Pélvica;

Hoje vamos abordar o tema da incontinência urinária.

O que é considerada incontinência urinária?

É uma perda involuntária de urina independentemente do seu volume ou causa. Perder pingas ou golfadas de urina não é “normal” seja em que situação for.

 

Curiosidades / Dados estatísticos:

  • A incontinência urinária afecta 200 milhões de pessoas no mundo. 75 a 80% destas pessoas afectadas são mulheres. (National Association For ContinenceCharlestonSouth Carolina, USA. 2010)
  • Em Portugal existem mais de 650 mil pessoas com incontinência urinária das quais cerca de 80% são mulheres. Uma em cada cinco mulheres sofre de incontinência. (Paulo Dinis, 2008)
  • Os estudos revistos no 4th International Consultation on Continence (2009) revelam uma prevalência de 32% a 64% para todos os tipos de incontinência durante a gravidez.

As taxas de prevalência para o pós-parto variam entre 0,7% e 34%.

A prevalência da inconinência urinária de esforço no pós-parto aumenta de 7% aos 3 meses para 30% aos 5 anos e 42% aos 12 anos pós-parto. (Viktrup et al., 2006)

 

Porque é que a incontinência urinária é mais frequente nas mulheres?

  • Devido às diferenças na anatomia dos músculos do pavimento pélvico e ligamentos que suportam a bexiga e os esfíncteres;
  • Pelo efeito que a maternidade pode provocar nas estruturas pélvicas e esfíncteres caso não haja um acompanhamento na recuperação pós-parto;
  • Devido ao efeito das hormonas ao nível dos receptores que existem na bexiga, esfíncteres e vagina.

 

Quais os tipos de Incontinência urinária que existem?

  • Incontinência urinária de esforço – Perda de urina quando realiza algum esforço físico.

Sintomas: perde urina quando tosse, espirra, pega numa criança ao colo, carrega pesos, faz ginástica, corre por algum motivo, ri, faz as tarefas domésticas, quando se baixa para apanhar algo.

 

NOTA:Em determinadas alturas da vida, como no pós-parto ou na pós-menopausa, há tendência para dizer que perder umas pinguinhas de urina é “normal”, mas em nenhuma altura da vida, exceptuando quando somos crianças, será normal perder urina. Quando tal começar a acontecer será a altura ideal para procurar um profissional que a ensine ou relembre como contrair o períneo para que o fortaleça e as percas de urina parem.

 

  • Incontinência urinária de urgência – Perda de urina relacionada com desejo de urinar impossível de controlar.

Sintomas: Normalmente esta situação dá-se logo que surge a “primeira vontade” de ir à casa de banho e partir desse momento já não consegue aguentar a urina. Está a guiar e o cérebro emite sinal de que tem de urinar, terá de parar o carro imediatamente para procurar uma wc pois sabe que não aguentará até chegar a casa. Está num espectáculo, numa aula, numa reunião e ao surgir vontade de ir à casa de banho sabe que terá de ir imediatamente ou caso contrario poderá perder algumas gotas de urina se não mesmo golfadas.

 

NOTA: Poderá ter apenas urgência urinária sendo esta o desejo súbito e inadiável de urinar não acompanhada de perda (por exemplo quando coloca a chave na fechadura da porta tem muita vontade de ir à casa de banho mas consegue aguentar até ao momento de urinar).

 

  • Incontinência urinária mista – Perda de urina em situação de esforço e em situação de urgência em urinar.

Sintomas: Poderão acontecer as duas situações a cima mencionadas.

 

A incontinência urinária pode ser de diferentes níveis mediante os sintomas que a mulher apresenta. É fundamental falar com o seu médico ginecologista/uro-ginecologista de modo a ser possível traçar um bom diagnóstico para poder adequar o melhor tratamento.

Não se deixe dominar pelos sintomas pois estes poderão levar a restrições na sua capacidade para se manter activa fisicamente, limitando a sua vida social e familiar.

Na fisioterapia Mães&Filhos encontrará um acompanhamento personalizado que a ajudará a ultrapassar as suas limitações, mas principalmente a poderá ajudar a preparar o seu corpo evitando que a patologia se instale.

 

Qual o tratamento ideal para a incontinência urinária?

Cirurgia?

Medicação?

Alteração de hábitos?

Treino dos músculos do pavimento pélvico?

 

Tratamento:

O tratamento para a incontinência urinária poderá ter diversas etapas de acordo com cada situação e o nível de evolução que a mulher apresentar.

  • Fisioterapia (alteração de hábitos e fortalecimento dos músculos do pavimento pélvico) – tratamento conservador;
  • Medicação – tratamento conservador;
  • Cirurgia.

Recorrer à fisioterapia poderá ser uma primeira abordagem de forma de evitar uma intervenção médica ou cirúrgica, e é aqui que a fisioterapia Mães&Filhos poderá ajudar.

 

A fisioterapia propõe recorrer a diferentes técnicas:

  • Conhecer os mecanismos individuais que desencadeiam as perdas;
  • Promover o fortalecimento e funcionalidade dos músculos do pavimento pélvico;

Contrações rápidas, lentas, mantidas e fortes.

Utilização de aparelhos de biofeedback e/ou electroestimulação na ausência de contração voluntária ou quando esta é fraca.

  • Ensinar estratégias para evitar a perda durante o esforço;
  • Promover junto da mulher a alteração/melhoria de hábitos de vida;
  • Integração em aulas de pilates clínico para manutenção das melhorias conseguidas.

Existem momentos na vida de uma mulher que não devem ser ignorados e com isto queremos dizer que se a mulher estiver informada sobre algumas das etapas mais importantes na sua vida, como a Gravidez e a Menopausa e quais as alterações que delas podem ocorrer existem determinadas patologias que podem ser minimizadas ou mesmo evitadas.

 

Durante a gravidez a futura mãe mulher beneficiará de exercício físico especializado a fim de poder trabalhar este músculo tão importante que é o pavimento pélvico, e fortalece-lo para o momento do parto. Este acompanhamento deve ainda prolongar-se no pós-parto para garantir uma recuperação em pleno.

Já na menopausa a fisioterapia dar-lhe-á a possibilidade de ter uma actividade física controlada como forma de melhorar a função destes músculos, evitando o seu envelhecimento. 

 

Fisioterapia Mães&Filhos