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Mamã, não exija demais do seu bebé!

Mamã, não exija demais bebé

É um dos karmas da maternidade: de repente, até a velhota com quem nos cruzamos todas as sextas-feiras no supermercado, mas com quem nunca antes falámos, sabe, mais do que nós, o que é ou não certo para o nosso filho. Toda a gente vê a mãe de um recém-nascido como um animal indefeso, necessitado dos seus valiosos conselhos e da sua preciosa ajuda. Pior, toda a gente acha que é a Doutora Remédios, sempre com uma palavra a dizer (negativa, claro!) sobre as nossas decisões. “Ah, não lhe devias ter dado chucha, coitadinho, agora vai ter os dentes tortos”. “Está tanto frio e o Pedrinho só tem vestidos cinco casacos e três collants, assim vai apanhar uma pneumonia!”. “A Maria Miquelina já estar a comer sopa, um bife com ovo à cavalo ou uma feijoada”. Não, não devia. A Maria Miquelina só tem cinco dias. A vontade que sentimos é a de responder torto e dizer que se gostam tanto de dar opiniões gratuitas que liguem para o “Opinião Pública” da SIC Notícias, mas lá calamos o mau feitio, agradecemos e sorrimos. 

Outro dos karmas da maternidade tem a ver com a competição. Aqui, a culpa é das outras mães, que nunca dizem que o filho chora, afirmam a pés juntos que os seus bebés dormem seis horas de sesta todos os dias, e gabam, para toda a gente ouvir, principalmente nós, a capacidade do Luísinho, que só tem três meses, para tocar piano como o Beethoven.

É graças a este tipo de atitudes e de discurso que passamos a vida a pensar que “a galinha da vizinha é sempre melhor do que a nossa”. Ou que “a relva do quintal do vizinho é mais verde do que a do nosso jardim”, também pode ser. Toda esta pressão, sob nós e sob as nossas crianças, vai levar a que, basicamente, em algum momento da vida, nos perguntemos se estamos realmente a tomar as decisões certas. É horrível sentirmo-nos péssimas mães. Nota para esses momentos: o vizinho pensa exatamente a mesma coisa (sobre ele, não de si).  

Aos nossos bebés é imposta, desde o nascimento, uma lista de marcas a atingir mais longa do que as Páginas Amarelas: o primeiro sorriso, o primeiro dente, a primeira noite inteira de sono (e todas as seguintes, já agora), a primeira refeição “a sério”, a primeira palavra (que tem que ser mamã, óbvio, aqui concordo plenamente), e depois gatinhar, andar, falar, aprender a usar o bacio e a recitar Shakespeare, tudo o mais rápido possível. 

Outra nota: tudo isso vai acabar por acontecer. Mais cedo ou mais tarde. Ok, se calhar a parte sobre o Shakespeare não, mas pronto, não se pode ter tudo na vida. 

Vamos passar noites sem dormir, a pensar nos outros bebés que conhecemos, e que parecem ser muito mais inteligentes ou desenvolvidos do que o nosso. A verdade é que algumas das conquistas dos nossos filhos vão ser fáceis de alcançar; outras vão demorar mais tempo. Às vezes, vai perguntar-se se tem um sobredotado em mãos, um Génio do Aladdin em potência, mas também vai preocupar-se com a possibilidade de o seu filho ter um atraso cognitivo. Lembra-se de quando se levantava oito vezes durante a noite para confirmar se o seu bebé estava a respirar? Eu lembro. E estava. O mesmo acontece com estas situações. Controle a ansiedade e perceba que ela é natural, mas saiba distinguir aquilo que realmente merece a sua preocupação. Há excepções, claro, mas a probabilidade de o seu bebé ser uma criança igual às outras, com o seu ritmo, maior aptência para umas coisas e menor para outras, é quase tanta como a de este portal se chamar Pumpkin. 

Dê-lhe tempo e amor. É tudo aquilo de que ele precisa.