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Deixe o seu bebé dormir: ele está a aprender a falar

desenvolvimento da linguagem

Os padrões de sono de um bebé têm uma relação causa-efeito directa com o desenvolvimento da linguagem.

Já sabemos, é quase redundante. Qualquer pai com crianças com menos de dois anos – e até mais velhas – se ri perante a frase “deixe o seu bebé dormir”. Que eles durmam queremos nós, não é? Afinal, que atire a primeira pedra cibernética quem nunca pesquisou dicas para o bebé dormir melhor ou pediu conselhos a outros pais, e até a médicos, de forma a conseguir ter noites mais tranquilas.

O sono é extremamente importante e não só para a saúde mental dos pais: alguma vez pensou que enquanto os bebés dormem o seu cérebro processa as informações recolhidas ao longo do dia? Nós também nunca tínhamos olhado para as coisas dessa perspectiva, até nos cruzarmos com o estudo “The Sleeping Infant Brain Antecipates Development“, ou, traduzindo livremente, “O cérebro adormecido da criança antecipa o desenvolvimento”.

Reunimos as conclusões principais do estudo. 

1. Os bebés dão nomes aos bois.

Não literalmente aos bois, claro. Ou então sim, se tiverem visitado uma quinta. Adiante.

Tudo na vida de um bebé é uma novidade. A cada nova experiência, o cérebro tem a missão de organizar e catalogar a informação. O sono é fundamental nesse processo: segundo os cientistas, as crianças entre os seis e os oito meses são capazes de associar um significado a uma palavra, mas só depois de dormirem uma sesta.

Foram criados dois objectos ficcionais muito semelhantes, mas não iguais, aos quais se atribuiram os nomes “Bofel” e “Zuser”. De manhã, e após uma “fase de ensino”, as respostas cerebrais dos bebés demonstraram que eles não reconheciam o novo objecto Bofel como “Bofel”, mesmo este sendo o mesmo Bofel ao qual tinham sido anteriormente expostos.

Depois da sesta, no entanto, os bebés foram já capazes de distinguir os nomes dos novos objectos, através de uma aquisição básica de raciocínio inerente a todos os seres humanos: o da generalização. Ao ver um “Bofel” igual ao “Bofel” matinal, os bebés reconheceram o objecto e atribuíram-lhe o nome certo.

Os bebés que se mantiveram acordados, por sua vez, continuaram sem conseguir generalizar e associar um Bofel ao outro.

Ou um boi.

2. O tempo de descanso influencia directamente na aprendizagem

Ou seja: quanto maiores as sestas, mais assimilada a informação.

O N400 é a resposta cerebral registada em adultos ou crianças com mais de cinco anos quando aprendem o significado de uma nova palavra.

Neste estudo, as leituras cerebrais aos bebés que dormiram 50 minutos ou mais registaram o mesmo componente. É oficial: depois da sesta, foi mesmo apreendido um novo conceito.

Os bebés que dormiram 30 minutos ou menos, no entanto, foram apenas capazes de associar o som da palavra à imagem do objecto, mas não criaram um significado para a palavra em si.

Os resultados demonstram que mesmo as crianças mais pequenas podem memorizar o significado das palavras a longo prazo, de forma muito mais precoce do que aquela que poderíamos julgar: ainda que as estruturas cerebrais relevantes para este tipo de memória não estejam totalmente maduras, elas podem e devem ser utilizadas e estimuladas.

3. Bebés > velocidade da luz

Ou quase.

Comparando-a com outras formas de desenvolvimento, que demoram meses a serem consolidadas, os investigadores defendem que o desenvolvimento da linguagem pode dar-se numa questão de minutos, em “fast motion” durante o sono.

Que é como quem diz, super rápido.

É importante sublinhar, ainda assim, que estes bebés foram expostos a uma grande quantidade de informação num espaço reduzido de tempo, com uma partilha de conceitos normalmente levada a cabo de forma muito mais espaçada.

No entanto, este facto demonstra-nos algo que, intuitivamente, já sabíamos: quanto mais falarmos com os nossos filhos de forma “adulta”, apresentando-lhe palavras novas, lendo-lhe histórias e ampliando-lhe o vocabulário, mais estamos a estimular o seu conhecimento.

Os bebés são esponjas.

 

 

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