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No bebé tudo é comunicação

No bebé tudo é comunicacão

Provavelmente, já se deparou com uma situação em que sentiu que o aparecimento de uma doença sem expressão orgânica na criança tinha um valor comunicacional. Provavelmente, também já o sentiu em si mesmo.

Experiências pessoais, a observação de bebés, a clínica infantil e mesmo a clínica do adulto fizeram-me pensar sobre a influência de aspectos relacionais sobre as doenças físicas, entendendo-as como vias de comunicação, corporal, sobre esses mesmos aspectos. Ou seja, o corpo “fala” aquilo que a mente não consegue elaborar e integrar. Ou seja, o corpo “fala” aquilo que não se torna pensamento.

Na infância, o facto de termos um cérebro em desenvolvimento, de ainda não falarmos e de estarmos mais dependentes do meio, leva a que a comunicação se processe essencialmente pelo corpo… até que a linguagem se institui como meio de comunicação privilegiado.

Começamos, pois, a comunicar de forma não-verbal. Comunicamos pelos sons que emitimos pela boca; pelos movimentos do corpo; pela forma como olhamos e nos relacionamos com os outros, como nos deixamos agarrar e envolver; pelo choro e pelo riso; pelo apetite que temos; e comunicamos também, de forma mais subtil, pelo tom da pele e temperatura e tonicidade do nosso corpo. Poderemos dizer que, no bebé, TUDO é comunicação. Ou melhor, tudo tem carácter comunicativo perante o Outro.

Ora, como tão bem nos têm vindo a demonstrar os estudos ligados à vinculação e, mais recentemente, com o contributo dos estudos em neurociências, à expressividade do bebé deve aliar-se a disponibilidade emocional do adulto para a sua descodificação, afinação afectiva e expansão.

Quando o bebé nasce, nasce com ele a esperança – que considero intrínseca ao ser humano – de ser amado, compreendido, estimulado/potenciado numa relação com figuras humanas primárias preferenciais. Isto

Para um adulto sensível e disponível emocionalmente, torna-se claro como certos comportamentos do recém-nascido têm um carácter comunicacional. Comunicam o seu bem-estar ou mal-estar face ao seu estado interno, face ao cuidado que lhe é prestado, transmitindo a adequação ou não do comportamento do adulto às suas necessidades. A esperança do bebé é ser entendido e bem respondido, o que o faz sentir-se cada vez melhor e mais confiante na capacidade dos pais em regularem o seu estado interno.

 

Consultório de Psicologia