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Crónicas do Repolho: Quando eu era pequenino, lalalala

Crónicas Repolho: Quando eu era pequenino, lalalala

Há muito pouco tempo, à semelhança do que acontece em várias famílias, espalhadas pelos cinco continentes deste mundo (ou do outro, se lá houver leitores), nasceu o Repolho. Munido de uma arma poderosíssima, um estridente buááá, o Repolho luta, ao longo de todo o livro, com monstros de várias espécies: o das cólicas, o do sono, o dos dentes e o mais temido de todos: o monstro dos papás. A Pumpkin divulga agora algumas das suas crónicas mais divertidas. 

A menina mamã passa a vida a ler e a pesquisar conselhos, na internet, sobre o meu desenvolvimento e bem estar. Isso preocupa-me, por vários motivos. Primeiro, porque acho que seria bem mais fácil consultar-me, exclusivamente, a mim. Ou, pelo menos, consultar-me, vá! Segundo, porque acho que esses blogs, sites, fóruns ou lá que nome têm, são os principais responsáveis pela queda abrupta de produtividade dos Repolhos séniores, enquanto papás.

Se, no meu primeiro ano de vida, tudo era festa e motivo de delírio, nestes últimos tempos, sinto-me pressionado, subvalorizado e aquém das expectativas, em vários campos. As minhas reclamações são mais do que muitas e vão, desde a reação deslavada às minhas perícias, até à série de trabalhos forçados a que ando sujeito.

Quando era bebé, às vezes, até o simples ato do cocó era motivo de alegria. Neste momento, ou as minhas asneiras intensificaram muito, o que não me parece, minimamente, plausível ou não sei o que se passa. A verdade é que os meninos papás passam o tempo todo em “modo de exigência” e fazem cada dia menos. O que é feito dos meus  meninos papás que deliraram tanto quando eu soltei o meu primeiro lalala, que até recebemos uma carta de agradecimento da operadora móvel cá do sítio, pelo número de chamadas feitas? Esse orgulho todo deu lugar a um “Repolho, não se diz assim. Vá, repete com a mamã… E-F-E-T-I-V-A-M-E-N-T-E.”

Ando exausto! E a nível da minha higiene pessoal? Estou a uma unha mal cortada de transformar-me num farrapo sujo e cheio de rugas, pela falta de cuidado dos papás.

Antigamente, o banho era uma autêntica sessão fotográfica de brincadeira, massagens e de miminhos. Nos últimos tempos, parece uma curta metragem de orçamento reduzido. A menina mamã atira-me para dentro da banheira, (depois de testar a água com a MÃO!!! Pois é! Chegou a esse ponto. Não há cá termómetro, cotovelo, nada…), acompanhado um ou dois patos, se (e, atenção ao SE…) estiverem por perto. Esfrega de um lado, esfrega do outro, espreita orelha e pescoço e pimba… toalha. O creme é espalhado tipo manteiga, sem pressão nos trigger points ou em coisa alguma. Um desconsolo! E, no fim, cereja no topo do bolo, é-me entregue o pente para a mão e… desenrasca-te. Pfffff! Um desgaste diário!

Em relação aos dentes, prefiro nem aprofundar o assunto. No meu primeiro ano de vida, antes até dos gajos existirem, tinha direito a massagens relaxantes na gengiva, a brinquedos para mordiscar e tudo. Agora, que os dentes estão cá fora é um “vê se te avias e aprendes a escovar direitinho, Repolho. É para cima, para baixo, para a esquerda e…arghhh”.

Mas será que nos blogs que tu lês, menina mamã, não te ensinaram que este comportamento pode dar lugar a queixa crime, por negligência?