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Crónicas do Repolho: Hábitos estranhos

Crónicas Repolho: Hábitos estranhos
Há muito pouco tempo, à semelhança do que acontece em várias famílias, espalhadas pelos cinco continentes deste mundo (ou do outro, se lá houver leitores), nasceu o Repolho. Munido de uma arma poderosíssima, um estridente buááá, o Repolho luta, ao longo de todo o livro, com monstros de várias espécies: o das cólicas, o do sono, o dos dentes e o mais temido de todos: o monstro dos papás. A Pumpkin divulga agora algumas das suas crónicas mais divertidas. 

Já reparei que os meninos papás são criaturas de hábitos, 90% dos quais associados a mim, o que até acho bonitinho.

Acordam sempre que eu acordo (nem um minuto depois), saem para o trabalho, chorosos porque vão sem mim ( às vezes fico confuso e já não sei se sou eu ou se são eles que choram, mas que há lágrimas, isso eu sei que há) e voltam para casa, sempre, cheios de vontade de jogar futebol, construir torres, correr, saltar e ver desenhos animados durante cerca de 7/8 minutos e/ou com pressa de começar a preparar o jantar, pelo menos, a menina mamã. O papá também tem um hábito de fim do dia engraçado, mas é mais aparentado da televisão do que da cozinha.

Por algum motivo que, será com certeza bom, que eu desconheço, mas bom… estão a tentar que eu ganhe, também, algumas rotinas: a comida saudável e (segundo, a mamã e apenas segundo a mamã) cheia de sabor, o adormecer a horas, escovar os dentinhos quando acordo e vou fazer o meu ó-ó, lavar as mãos quando chego a casa, entre outras coisas chatas como o raio, mas que me parecem ser daquelas verdades inquestionáveis, ou cuja explicação, receio seja tão longa que prefiro nem saber. Então, obedeço e cumpro, à minha maneira, mas cumpro.

Agora, quando tentam incutir-me hábitos que, pior do que chatos, não me parece que façam grande sentido, de mim não levam nada.

Um deles é o da leitura… na casa de banho. Sei que funciona muito bem para o menino papá e para metade da população em geral, mas a mim, intriga-me. Porquê? A ideia não é fazer o que há para fazer e sair dali o mais rápido possível? Não há um mau cheiro qualquer associado à atividade em causa? Então, porque perder tempo a ler? E, já agora, isso deve acontecer antes ou depois da saída da… (chamemos-lhe) “coisa”? Perdoem-me a ignorância, mas sou novato, nestas andanças.

É que, vejamos. Antes da “coisa”, (e eu, ainda cheguei apenas, até esse momento, não andem por aí a soltar foguetes) há uma série de passos a cumprir que exigem imensa concentração: a questão de nos sentarmos sem cair dentro daquele buraco fundo e escuro, o equilíbrio durante todo o processo, o chamamento do cocó e todos os outros truques e dicas que a mamã aprendeu com o tio google e que está a tentar ensinar-me.

Então, volto a perguntar, em que é que o ato de ler, ajuda à chegada da “coisa”? É que eu quero, verdadeiramente, acelerar o processo ao máximo e esta ideia do menino papá passar-me um livro para as mãos, faz tudo menos isso. Consigo lá eu pensar em chamar o cocó e fazer força se estiver a olhar para um livro com os alimentos que ando a aprender a identificar, e consequentemente a comer?