É já dia 22 que o Congresso do Bebé vê a luz do dia, depois de meses de preparação. A Pumpkin já lhe deu a conhecer todos os detalhes deste evento, o primeiro que reúne profissionais e famílias no debate das grandes questões que surgem em quem cuida ou trabalha com bebés, e agora entrevista Constança Cordeiro Ferreira. A directora do Centro do Bebé, a "Fada dos Bebés" como é conhecida, explicou-nos melhor a dinâmica de funcionamento do evento e quais as grandes vantagens que este dia de aprendizagem e partilha pode trazer aos pais e cuidadores. 

O Congresso do Bebé nasceu de parto normal, como consequência natural do trabalho desenvolvido pelo Centro do Bebé, ou é, antes, fruto da necessidade de ir além daquilo que têm feito?

É um parto natural sim!, mas de alguma forma impulsionado pelo enorme entusiasmo que nos tem chegado por parte das famílias no país inteiro, mas também de muitos profissionais de imensas áreas, nestes dois anos e meio de actividade do Centro do Bebé. Pediam-nos que partilhássemos um pouco do que é a abordagem do Centro do Bebé e que levássemos um pouco mais longe esta nossa postura de reflexão, investigação, suporte científico e esta visão que temos sobre o bebé e o seu entorno familiar. Por outro lado, nós sentimos que ainda há muito a fazer, muito mito para ser desconstruído, muito caminho e discussão para que as famílias possam efectivamente viver o dia-a-dia com os seus bebés de uma forma mais tranquila, livre de pressões e julgamentos, tendo acesso a informação credível que lhes permita fazer escolhas. No fundo tudo se conjugou e assim nasceu esta nossa ideia de proporcionarmos um dia de informação, formação e interacção, juntando famílias e profissionais no mesmo local. 

Houve o cuidado de, ao planear o Congresso, convidarem especialistas de diversas áreas dentro do mundo que é um bebé. A ideia é que este dia seja uma espécie de Manual de Instruções, um “Tudo o que Deve Saber” para pais e cuidadores, ou apenas uma ferramenta que lhes dará confiança para seguirem os seus instintos?

Tivemos o cuidado de criar um programa que responda de forma muito prática àquelas que são as questões que os pais têm no seu dia-a-dia com os bebés. Temos uma pediatra para falar com os pais sobre os medos frequentes que temos sobre a saúde dos nossos bebés, temos psicólogos que vão abordar as questões do impacto da chegada de um bebé sobre o casal, vamos falar sobre o sono, o que são verdadeiros “bons hábitos” de sono para os nossos bebés e vamos ter um workshop à tarde em que vamos fazer uma espécie de “dicionário” para melhorar a comunicação entre pais e bebés e reduzir o conflito entre eles. Claro que à boa maneira do Centro do Bebé nós não vamos dizer aos pais que só há UMA maneira de fazer as coisas. Pelo contrário, vamos discutir estratégias, vamos acima de tudo ajudá-los a observar os seus bebés e saberem entender qual pode ser a melhor solução em cada momento. É isso que os pais levarão deste Congresso: informação, ideias e estratégias e acima de tudo um reforço da confiança quando tiverem que tomar decisões para si e os seus bebés. Para que possam desfrutar da parentalidade descobrindo o seu próprio estilo de o fazer.

(a fotografia é de autoria de MÊ Amor)

A propósito do tema do Congresso, “O Nosso Início Colectivo”, cabe perguntar: quão importantes são, para o seu desenvolvimento, os primeiros anos de vida de qualquer ser humano?  

Cada vez mais a Ciência descobre que são fundamentais, quer em termos de saúde física mas também emocional. As nossas experiências precoces são importantes nas percepções com que ficamos do mundo e isso acompanha-nos pela vida fora. Se sentimos que o mundo é um local seguro, se aprendemos a conviver com a adversidade, sabendo que mesmo que haja momentos de stress ou adversidade, não estamos sozinhos. Que posso avançar, sem medos, porque é seguro. Conviver com a sensação de carinho, afecto, consolo e construir dessa forma a autonomia, a segurança. Ainda se sabe muito pouco sobre a maneira como o bebé constrói a sua autonomia, é um tema que está muito cheio de informação desactualizada. Vamos ter o privilégio de ter nesse dia a conferência do Dr. Pedro Caldeira da Silva, pedopsiquiatra, que nos vai explicar como se desenvolve o cérebro do bebé nos primeiros dois anos. E o nosso objectivo ao debatermos “o nosso início colectivo” é precisamente passar esta ideia de que os bebés são a nossa esperança, são a continuidade. Os futuros adultos de amanhã são um assunto de todos nós.

Os pais têm a liberdade de levar ao Congresso os seus bebés, uma política diferente da habitual neste tipo de encontros, e que sublinha a vossa filosofia de que ninguém melhor do que os pais conhece os limites dos filhos. O que pode ser dito a uma mãe ou um pai que, neste momento, sente que não consegue ler o seu bebé?

Dizer-lhes que isto não é automático, é um processo. Tal como qualquer relação humana, cada dia que passamos com o outro traz-nos mais informação, mais conhecimento. É como aprender uma língua nova, ninguém espera que eu no primeiro dia fale tudo fluentemente, vou aprendendo, vou falando melhor. Muito da nossa relação com os nossos bebés passa por questões também de comunicação e às vezes a dificuldade é essa, tentarmos tirar conclusões sobre o que o bebé nos está a dizer ou a razão do seu comportamento partindo das referências do adulto. Às vezes é preciso mudar a perspectiva para percebermos a linguagem do bebé, o que ele nos está a tentar dizer.

Numa frase, o que é que pais e cuidadores podem trazer do Congresso do Bebé e que lhes será útil no dia-a-dia com a sua criança?

Vão poder esclarecer dúvidas sobre os seus bebés, ouvir perspectivas novas e as últimas novidades que a Ciência tem descoberto a propósito de temas como o sono, desenvolvimento e vão passar também óptimos momentos. Temos na sala a nossa zona Centro do Bebé e o espaço Barral Baby Protect pronto para acolher as nossas famílias desde a gravidez até aos primeiros passinhos com os seus bebés!