A Oficina de Psicologia, pelas palavras da Psicóloga Clínica Mariana Santos Paiva, traz-nos os cinco A's imprescindíveis neste Regresso às Aulas. 

Acertar os horários.

Se em férias a rotina é diferente, os horários também o são. Há alterações no sono, muitas vezes associadas à hora de deitar, na alimentação que poderá ser menos regrada e com maior dose de açúcar e hidratos de carbono e no decorrer do dia. Este é diferente do habitual já que o período em que as crianças costumam estar na escola é substituído por praia, piscina, passeios, desportos e actividades em família ou perto de amigos.

É agora tempo de regressar e de deixar para trás os dias longos e preguiçosos de Verão para dar lugar a semanas e meses cheios de novas aprendizagens onde o sono ocupa um papel fundamental, permitindo uma melhor concentração e memorização do que é transmitido na sala de aula. E se este deverá ser uma preocupação, também as refeições, os momentos para brincar e para fazer os trabalhos de casa devem ser. É fundamental que eles percebam que é necessário estabelecer prioridades e utilizar o tempo que têm de uma forma eficaz e responsável de modo a aumentar a sua produtividade e estabilidade.

Arrumar o local de estudo.

Uma secretária organizada, limpa e arrumada é um grande passo para conseguir que os seus filhos estudem com maior qualidade e rentabilidade. Perdem menos tempo quando querem encontrar o que precisam e demoram menos a concentrar-se e a realizar as tarefas. Ao mesmo tempo é um incentivo à responsabilidade e valorização das suas próprias coisas e do trabalho que será algo contínuo ao longo da vida. A motivação e interesse pelo estudo serão maiores se eles se sentirem bem e confortáveis no espaço onde estão, com a luz suficiente, sentados correctamente, com poucas fontes de distracção e num local adequado, claro.

Aproveitar o material escolar.

Antes de comprar a lista interminável de materiais sugeridos para o seu filho não se esqueça de ver se em casa tem alguns que este possa utilizar, ainda que seja apenas para começar o ano. É certo que o ideal deles seria ter sempre tudo novo, fechado e pronto a estrear mas muitas vezes o orçamento familiar é apertado e a quantidade de despesas escolares nesta altura obriga a fazer pequenas escolhas. Escolhas essas que dependendo da idade poderão ser feitas com eles. Estaremos a transmitir ideias como a necessidade de aproveitar o que já existe, de valorizar o dinheiro e de o poupar, de partilhar nos casos em que há irmãos!

Antecipar expectativas e emoções.

Antes do início de qualquer etapa é natural criar ideias. Todos o fazemos e as crianças não são excepção. Também elas pensam no ano novo, nos professores e nas amizades que farão, ainda que nem sempre o verbalizem. Há inseguranças comuns como o medo de não ter boas notas ou de se expor. E por isso é bom conversar com elas, deixá-las expressar o que pensam e sentem, transmitir-lhes segurança e apoio para que se mantenham confiantes e motivadas.

Alimentar interesses e potencialidades.

Todas as crianças têm interesses fora do meio escolar, sejam eles relacionados com o desporto, com a música, com as artes. E é saudável que os ponham em prática, desde que seja de uma forma equilibrada e sem excessos. Tentarmos promover o desenvolvimento de competências é muito enriquecedor e as actividades extra-curriculares poderão ser recursos importantes para a formação e desenvolvimento pessoal dos nossos filhos, não nos esquecendo de que a motivação e vontade deles deverá estar em primeiro lugar.