A pestinha aí de casa atira-se para o chão, grita de raiva, está sempre a protestar e com uma atitude desafiadora? As nossas também! Na verdade, as de toda a gente - entendemos que se pergunte se é normal, que se assuste, que questione como é que é possível uma criança tão amada ter acessos súbitos de raiva incontrolada. No entanto, de acordo com os psicólogos, é apenas uma fase, e, sim, vai passar. Existem algumas razões ciêntíficas que explicam esta raiva e também existem formas de a contornar. Contamos tudo!

1. São crianças. A principal razão para as crianças se zangarem é... serem crianças. O ser humano é um ser agressivo por natureza, dominados pelo instinto, programados para proteger o seu território e lutar pela sobrevivência. Até que os pais lhes transmitam outros conhecimentos, os bebés são simplesmente animais. 

De acordo com um estudo realizado na Universidade de Montreal, nós, pais, não ensinámos nem transmitimos às nossas crianças esta agressividade - nasceu neles, com eles. Aquilo que podemos fazer é ensiná-los a controlá-la, mas o instinto está presente no ser humano desde o início dos tempos. 

O pico da agressividade acontece entre os 2 e os 3 anos, segundo os profissionais da University College Dublin, e, depois disso, acalmamos, tornamo-nos mais capazes de controlar as nossas emoções, e temos uma maior capacidade de reagir ao ambiente que nos envolve. 

2. Estão a defender-se. Quando as nossas crianças choram, tentamos consolá-las, não é? Percebemos que aquelas lágrimas têm origem ou justificação numa tristeza ou dor escondida. Aquilo que às vezes não percebemos é que também a raiva é uma forma de expressar dor. 

No alto dos nossos quatro anos, e dado o entendimento limitado que temos do mundo, qualquer coisa nos parece a maior injustiça do mundo. Por isso, quando lhes damos ordens, ou quando nos recusamos a seguir as suas, eles sentem agressividade na nossa atitude, percebem-na como injusta, e reagem.

Muita dessa raiva pode, então, ser evitada com justificações. Quando as crianças entendem porquê que queremos que eles façam algo, entendem também que não os estamos a agredir nem a confrontar - pelo que não sentirão essa raiva defensiva. Está provado que este método é mais eficaz do que uma palmada

3. Precisam do pai! Calma, já explicamos. Se queremos ensinar as crianças a olhar para o mundo na perspectiva dos outros, para que possam entender as nossas motivações quando os repreendemos, estamos na verdade a tentar transmitir-lhes o valor da empatia. E a empatia é, em parte, uma reacção química. A oxitocina é uma hormona que nos faz preocuparmo-nos com os outros, e há uma forma muito simples de ajudarmos as nossas crianças a produzi-la. 

Podemos "forçar" a hormona da empatia a ser produzida através das promoção da oxitocina no pai da criança. É estranho, mas é verdade, segundo este estudo. A habilidade das nossas crianças de se preocuparem com os outros é herdada diretamente do pai - não só dos seus exemplos, mas daquilo que o organismo do pai produz, também.  

E como é que os pais podem produzir oxitocina? Brincando com os filhos. Quando os pais brincam com as crianças ou lhes dão carinho, a oxitocina é libertada - e quando é libertada no pai, é libertada na criança, que sentirá um grande desejo de ajudar o pai e de entendê-lo.