É fundamental entender que os produtos culturais aos quais temos acesso nos formam como pessoas e são o gancho para a promoção de muitos dos valores em que baseamos a nossa existência e os nossos comportamentos.

A preocupação com o tipo de cultura a que expômos as nossas crianças deve ser ainda mais forte, dado que a sua capacidade de assimilar uma mensagem, positiva ou negativa, é maior, por ser menos filtrada e pensada.

Que tipo de lição estamos a passar às meninas, quando a maior parte dos filmes que vêm têm como personagens femininas alguém normalmente retratado como submisso, subalterno, voltado para o trabalho doméstico e incapaz de feitos históricos ou de viver uma grande aventura e sair-se bem?

Que tipo de mensagem estamos a passar aos meninos, quando os expomos a filmes que passam uma mensagem que diminui as mulheres, mostrando-lhes que elas são menos capazes do que eles? 

A verdade é que as mulheres são metade da população mundial, mas ainda assim alguns estudos indicam que, nos filmes, existe apenas uma personagem principal feminina para cada três protagonistas masculinos, desde 1948. Não podemos controlar aquilo que Hollywood produz, mas, como pais, podemos e devemos garantir o equilíbrio: é importante que os nossos filhos tenham também acesso a filmes onde há meninas fortes, poderosas e que assumem papéis de liderança.

Brave.

Merida é uma habilidosa arqueira e a impetuosa filha do Rei Fergus e da Rainha Elinor. Determinada a trilhar o seu próprio destino, Merida desafia um costume ancestral, sagrado para os poderosos senhores da terra: o intenso Lord MacGuffin, o arrogante Lord Macintosh e o irritante Lord Dingwall. As ações de Merida lançam inadvertidamente o caos e a fúria no reino, e quando ela recorre a uma velha e excêntrica Bruxa, a ajuda vem em forma de maldição. O perigo iminente força Merida a descobrir o significado da verdadeira coragem para que possa desfazer a terrível maldição antes que seja tarde demais. 

Brave é muito mais do que a história de uma menina que não se encaixa nos padrões esperados e que por isso muda esses padrões. Merida e a sua mãe são personagens incríveis e a lição de família que o filme passa é muito forte.

 

Frozen.

A destemida e otimista Anna parte em uma épica jornada ao lado do radical alpinista Kristoff e da sua leal rena Sven para encontrar sua irmã Elsa, cujos poderes gelados condenaram o reino de Arendelle a enfrentar um inverno sem fim. Numa corrida contra o tempo para impedir o reino de ser destruído, Anna e Kristoff encontrarão trolls místicos, um divertido boneco de neve chamado Olaf, baixíssimas temperaturas e muita magia em todos os lugares.

Frozen subverte a narrativa que elogia o príncipe como um herói, traz-nos personagens muito bem desenvolvidas e foca-se na relação entre as irmãs, mostrando que o amor vence e resolve os problemas, sim, mas que nem sempre este depende de um homem. Aliás, o filme retrata bem como ridículo que a Anna se case com um homem que acabou de conhecer. 

 

A Princesa e o Sapo.

"A Princesa e o Sapo" é uma versão moderna de um conto clássico, que conta a história de uma rapariga chamada Tiana e de um príncipe sapo que tenta desesperadamente voltar a ser humano.

Além de ser um ponto fora da curva dos filmes eurocêntricos e mostrar um pouco da cultura afro e crioula do sul dos EUA, muito importante na representatividade, retrata uma jovem negra trabalhadora cujo maior sonho não é casar-se com um príncipe, mas sim ser dona de seu próprio negócio.

 

 Mulan.

A história passa-se na China da Dinastia Han e conta como uma jovem destemida e corajosa decide colocar em risco a sua vida para salvar o seu pai e a sua Pátria. Quando o seu país é invadido e o seu pai doente é recrutado para a guerra, Mulan decide disfarçar-se de homem (as mulheres não eram permitidas no Exército), treinar para se tornar um bom soldado e, assim, ocupar o lugar do pai no exército chinês. Acompanhada pelo seu gentil e engraçado dragão de guarda, Mushu, Mulan treina acaba por aprender muitas lições sobre coragem, honra e amor.

Mulan é inteligente, ágil e esperta, e o filme explora isso de maneira extremamente divertida, além de representar uma mulher que foge do padrão eurocêntrico até então adotado pela Disney. Subverte os papéis de género numa sociedade muito rígida e luta até quase à morte pela sua honra e a da sua família.

 

 

 Pocahontas.

Ao longo da costa da Virgínia, Pocahontas, uma linda princesa índia, observa a chegada de colonos ingleses, liderados pelo ganancioso governador Ratcliffe e pelo corajoso capitão John Smith. Na companhia dos seus brincalhões companheiros, Meeko, um guaxinim, e Flit, um beija-flor, Pocahontas desenvolve uma forte paixão pelo capitão Smith. Mas quando o inevitável confronto entre as duas diferentes culturas tem lugar, Pocahontas procura o auxílio da velha e sábia árvore falante Avó Willow para encontrar uma forma de todos poderem viver juntos em paz.

Apesar da distorção na história original de Pocahontas, o filme conta com uma protagonista interessante: a princesa-índia de espírito rebelde, que quer uma vida construída por escolhas dela e não quer ficar presa ao fardo de casar com alguém da tribo. Pocahontas quer ser uma mulher importante, fazer a diferença na vida do seu povo. A Avó Willow, que contém o espírito da avó de Pocahontas, é o ser mais sábio do filme - uma reviravolta interessante, já que a sabedoria sempre foi um direito negado às mulheres, na História. 

 

 

 Lilo e Stitch.

Nas paradisíacas e exuberantes ilhas Havaianas, uma pequena rapariga órfã chamada Lilo adopta o que julga ser um inocente cãozinho. Ela dá-lhe o nome de Stitch, desconhecendo que ele é na realidade o perigoso resultado de uma experiência genética que fugiu do seu planeta. O único interesse de Stitch em Lilo é usá-la como um escudo humano para escapar aos caçadores de prémios decididos a levá-lo de volta. Mas é a inabalável crença de Lilo em 'ohana' (a tradição familiar havaiana) que conquistará o coração de Stitch, dando-lhe a única coisa para a qual ele nunca esteve preparado - a capacidade de se preocupar com outra pessoa.

Lilo e Stitch apresenta mulheres com corpos que se aproximam muito mais das proporções reais de uma mulher. Nani, por exemplo, é uma mulher magra, sim, mas tem quadril e as pernas grossas – algo praticamente inédito entre personagens de filmes infantis. Além da grande variedade étnica que o filme apresenta e das inúmeras personagens secundárias femininas, aumentando consideravelmente a representação de mulheres retratadas normalmente. 

   

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